Yoga

por Gabriel Vasconcelos

O Yoga se tornou cada vez mais popular nas culturas ocidentais, como meio de melhorar as capacidades físicas e psico-fisiológicas de seus praticantes. No entanto há uma necessidade maior que o Yoga seja reconhecido pela comunidade como um meio efetivo de cuidar da saúde, atuando principalmente como uma forma de prevenção de várias desordens. Nos últimos anos houve um crescimento no número de estudos comprovando que o Yoga pode melhorar a força e a flexibilidade muscular, e que pode ajudar a controlar variáveis fisiológicas como a pressão sangüínea, a taxa respiratória, metabólica entre outros (RAUB, 2002). Este artigo apresenta informações sobre como o Yoga pode atuar na saúde do indivíduo contribuindo assim para a melhoria da Qualidade de Vida.

Técnicas do Yoga
O Yoga possui vários tipos de técnicas. Entre as principais temos: ásanas (técnicas corporais); pránáyámas (exercícios respiratórios); yoganidrá (técnicas de descontração) e samyama (concentração, meditação e samádhi). Cada uma dessas técnicas atua no nosso corpo de uma forma distinta, provocando mudanças físicas, fisiológicas, psicológicas e sociais contribuindo para o desenvolvimento do Ser Humano e dessa forma auxiliando no ganho de qualidade de vida.

QUALIDADE DE VIDA

Segundo Smith (2000, p. 419-35),

Qualidade de vida é a percepção do indivíduo quanto a sua posição na vida, no contexto da cultura e do sistema de valores em que vive, levando em conta suas metas, suas expectativas, seus padrões e suas preocupações. Ela é afetada pela interação entre saúde, o estado mental, a espiritualidade, os relacionamentos do indivíduo e os elementos do ambiente.

A qualidade de vida é um fenômeno complexo e que tem um conceito multidimensional, que abrange seis domínios; 1) físico, 2) psicológico, 3) nível de independência, 4) relações sociais, 5) meio ambiente, e 6) aspectos espirituais; e 24 subdomínios. Ao domínio físico correspondem os subdomínios dor e desconforto; energia e fadiga; sono e repouso. Ao domínio psicológico correspondem os subdomínios sentimentos positivos; pensar; aprender; memória e concentração; auto-estima, imagem corporal e aparência; sentimentos negativos. Ao domínio nível de independência foram atribuídos os itens mobilidade; atividades da vida cotidiana; dependência de medicação ou de tratamento médico; capacidade de trabalho. O domínio relações sociais é constituído por relações pessoais, suporte social e atividade sexual. Do domínio meio ambiente fazem parte da segurança física e proteção; ambiente no lar; recursos financeiros; cuidados de saúde e sociais; disponibilidade e qualidade das oportunidades de recreação e lazer; ambiente físico (poluição, ruído, trânsito, clima); transporte. A espiritualidade, a religião e as crenças pessoais integram o domínio aspectos espirituais. (PASCHOAL, 2000)

YOGA E QUALIDADE DE VIDA
Através da prática do Yoga esta-se exercitando uma filosofia de vida saudável. Aprendendo a trabalhar de forma harmoniosa todos os sistemas do nosso corpo.
Stress constante, medo, violência, desemprego, ansiedade, barulho, solidão, desamor, depressão, atividades demais para horas de menos. Na confusão do nosso dia-a-dia, pode-se esquecer de cuidar de si mesmo. Esse é o primeiro passo para criar doenças.
Um sinônimo para doença é desequilíbrio – físico, mental, emocional. Por trás dos males do corpo há sempre pensamentos e emoções doentes. Com a prática do Yoga cria-se um estado de equilíbrio que ajudará a enfrentar a tensões sem nos abalar.
Serão analisadas algumas partes de uma prática Yoga e o que elas proporcionam para melhorar a saúde e a qualidade de vida.

Ásanas – (técnicas corporais)
Os ásanas, técnicas corporais do Yoga, aumentam expressivamente a flexibilidade do seu praticante, em conjunto aumentam também a força muscular através de exercícios de contração isométrica, chamados de ásanas musculares. Desenvolvendo de forma harmoniosa força e flexibilidade. (RAUB, 2002)
Os ásanas visam ao aumento de força, a definição da musculatura e o enrijecimento dos tecidos, sem comprometer a flexibilidade.
Dantas (1995, p.47) afirma que “uma boa flexibilidade permitirá a realização de arcos articulares mais amplos, possibilitando a execução de movimentos e gestos desportivos que de outra forma seriam impossíveis”.
Aumentando a amplitude do movimento permite-se que pessoas executem movimentos diários sem ajuda e auxílio de objetos externos, como subir numa cadeira, entrar e sair de um carro.
Um grau de flexibilidade aumentado ainda auxilia na prevenção de lesões, lembrando que junto com o treinamento da flexibilidade deve-se treinar a resistência muscular para que a articulação não se torne instável.
Além dos benefícios articulares e musculares da prática de ásanas, junto com exercícios respiratórios e utilização da localização da consciência e mentalizações aumenta-se de forma exarcebada a consciência corporal, tornando as pessoas mais sensíveis e expressivas.
Dantas (1995, p. 52) sobre o tema relata:

Considere-se o contraste entre estiramento máximo da musculatura e mobilização extrema das articulações, contraposto à relaxação destas estruturas. Leve-se em conta, ainda o auxílio prestado por uma respiração ampla e compassada e uma concentração da atenção no movimento executado. Certamente se está diante da mais poderosa ferramenta para despertar a consciência corporal.

Em um estudo feito demonstrou-se que através da prática de Yôga durante seis semanas, houve uma melhora no alívio da lombalgia e aumentou-se consideravelmente a flexibilidade do praticante diminuindo também estados depressivos. (GALANTINO, et al, 2004)
Com a realização de um estudo sobre um ásana denominado shavásana (posição do cadáver), comprovou-se que essa posição tem a capacidade de modular as respostas fisiológicas do stress, fazendo com que seus praticantes tenham a habilidade de suportar o mesmo. (MADANMOHAN, 2002)
Um estudo empreendido para observar todo o efeito benéfico do Yoga durante dez meses de práticas, concluiu que com a prática do Yoga conseguiu-se: diminuir a atividade simpática; aumentar o desempenho em exercícios sub-máximos; melhorar o limiar anaeróbio; aumentar a flexibilidade dos ombros, quadris, tronco, pescoço; melhorar vários parâmetros psicológicos como redução da ansiedade e da depressão; e melhorar a função mental. (RAY, 2001)

Pránáyámas – (exercícios respiratórios)

Técnicas de respiração têm como efeitos principais: relaxar todo o corpo e a mente por meio de respiração profunda; aprender o autocontrole e autodomínio sobre seu próprio corpo e mente; reforçar auto-afirmações positivas, pensamentos, imagens positivas e processos positivos de meditação; melhorar a capacidade mental de relaxamento e conseqüentemente a saúde mental e qualidade de vida. (SAMULSKI, 2002, p.183).

Através de exercícios respiratórios, que se utilizam da hiperventilação, consegue-se auxiliar no combate da depressão, bombeando oxigênio para o cérebro. É que o aumento de oxigenação cerebral produz uma sensação de euforia, a qual elimina a depressão sem a necessidade de medicamentos.
Através de um estudo feito na Índia por Bhavananj et al. no Departamento de Fisiologia do Jawaharlal Instituto de Pós-Graduação Médica, Educação e Pesquisa, concluíram que através de um respiratório do Yoga denominado Bhástrika (que consiste em inspirar e expirar pelas narinas rapidamente com força e ruído) pode-se diminuir o Tempo de Reação. Em estudos mais adiantados mostraram que com a prática desse respiratório conseguiu-se uma diminuição significativa no tempo de reação visual (RVT) e no tempo de reação auditiva (ARTE). Estes estudos foram feitos com 22 rapazes saudáveis que praticaram o Yoga durante três meses. O RTV e o ARTE foram gravados antes e depois de nove ciclos da respiração Bhástrika. O bhástrika produziu uma diminuição significativa no RTV e no ARTE. Uma diminuição do Tempo de Reação indica um desempenho melhorado do sistema sensório-motor e melhora também na habilidade de processamento do Sistema Nervoso Central. Isto pode ser devido a uma taxa mais rápida de processar informações, a uma concentração melhorada e/ou a uma habilidade de ignorar estímulos estranhos. Essa diminuição do tempo de reação é de grande valor em situações que requerem uma reação mais rápida tal com o esporte, operação de máquinas, cirurgias especializadas e em tarefas diárias que exijam essa velocidade. Pode ser também de grande valor para treinar crianças mentalmente retardadas e pessoas mais velhas que tenham o seu tempo de reação mais prolongado (BHAVANANJ, et al, 2003).
Com o treinamento de pránáyámas e ásanas, pode-se melhorar significativamente a funções do nosso pulmão e a força dos músculos da inspiração e expiração, bem como a força dos músculos esqueléticos. Essas melhoras foram comprovadas por um estudo feito no qual se avaliou a pressão expiratória máxima, a pressão inspiratória máxima, o volume expiratório forçado, o volume expiratório forçado no primeiro segundo, a taxa de pico do fluxo expiratório, a força de aperto da mão e a resistência do aperto da mão, este estudo foi feito com vinte crianças entre 12 e 15 anos durante 6 meses. Concluiu-se que o Yoga deveria ser introduzido no nível escolar a fim de melhorar as funções fisiológicas, a saúde e o desempenho dos estudantes (MANDANMOHAN, et al, 2003).
Relatou-se que após a prática de pránáyáma por três meses realizadas com doze crianças de uma escola, houve-se uma modulação no desempenho ventricular aumentando a atividade parassimpática e diminuindo a atividade simpática, melhorando a função cardíaca. (UDUPA, et al, 2003)

Yoganidrá (técnica de descontração)
Exercícios de descontração e relaxamento assim como o controle das emoções (para o Yoga chamado de Kama Shuddhi) podem auxiliar a diminuir os efeitos do stress do dia-a-dia e melhorar a qualidade de vida (SAMULSKI, 2002)
Segundo Lindeman (1984 apud Samulski ,2002, p. 189), técnicas de relaxamento podem produzir os efeitos de
…tranqüilização geral de corpo e mente; relaxamento muscular; relaxamento dos vasos sanguíneos; normalização do trabalho cardíaco; harmonia e tranqüilidade na respiração; relaxamento e harmonização de todos os órgãos abdominais; cabeça mais fresca, mais clara, relaxamento dos vasos sangüíneos na área da cabeça.

Com as técnicas de relaxamento diminui-se a atividade simpática. O sistema simpático é responsável pela aceleração dos batimentos cardíacos, pelo aumento da pressão arterial, da concentração de açúcar no sangue e pela ativação do metabolismo geral do corpo, então, com a prática de relaxamento diminuímos as funções acima. (VEMPATI, 2002)

Samyama (concentração, meditação e outros estados mais profundos)
De acordo com estudos feitos por Castillo Richmond junto com a Universidade da Califórnia em Los Angeles, revelaram que a meditação pode reduzir o acúmulo de gordura na parede das artérias e que pode ser tão eficaz quanto os medicamentos. Em seus estudos relata também que através da meditação pode-se reduzir o stress e reduzir a pressão sangüínea em pessoas hipertensas. (PRETO, 2000)
Em estudos clínicos randomizados feitos com americanos que tinham hipertensão, mostrou-se que a prática da meditação por vinte minutos duas vezes por semana durante cinco meses reduziu realmente a espessura da parede da artéria por quase um milímetro – qual traduz um risco reduzido para o ataque cardíaco de onze por cento. (PRETO, 2000)
Com a prática da meditação podemos melhorar significativamente as funções respiratórias, parâmetros cardiovasculares e o perfil lipídico. Através de estudos, comprovou-se que com a prática de meditação aumentamos a nossa capacidade vital e a pressão expiratória, diminuindo a pressão sangüínea diastólica e a taxa cardíaca, diminuindo também o colesterol. (VYAS, et al, 2002)

Durante os anos 80 estudos feitos por profissionais da saúde na Índia, mostrou que com prática do Yoga, uma pessoa pode passar a controlar parâmetros fisiológicos como a pressão sanguínea, taxas do coração, função respiratória, taxa metabólica, resistência da pele, ondas cerebrais, temperatura do corpo e muitas outras funções corporais. (LIPSON, 1999-2000)
Em estudos feitos com indivíduos acima de 40 anos, que praticam Yoga durante cinco anos, foram concluídos, que o Yoga proporciona uma redução na deterioração relacionada com a idade em funções cardiovasculares. Nesse estudo verificou-se a diminuição da taxa de pulso e uma diminuição da pressão de sangue sistólica e diastólica assim como um aumento significativo na relação de valsalva. (BHASHANKAR, 2003)
As práticas de Yoga podem ser usadas como um estímulo psicofisiológico, melhorando o desempenho cardiorespiratório e o perfil psicológico dos indivíduos, aumentando a secreção endógena da melatonina, que por sua vez, podem ser responsáveis pela a melhoria do bem estar, promovendo assim uma melhoria na qualidade de vida das pessoas que praticam essa filosofia. (HARINATH, 2004)
Em um estudo feito para verificar o efeito do Yoga no bem estar fisiológico, psicológico, no parâmetro psicomotor e nos fatores de risco cardiovascular em pacientes com uma leve hipertensão, concluiu-se através de resultados satisfatórios que incluem a redução da pressão sangüínea e a diminuição da glicose, colesterol e triglicérideos no sangue, que o Yoga pode desempenhar um papel importante na modificação do risco para doenças cardiovasculares em pacientes com uma hipertensão moderada. (DAMODARAN, 2002)

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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