Medicina Ayurveda x Massagem Ayurvedica

Há algum tempo venho pensando em como esclarecer um assunto, que tem criado alguma confusão. Apesar da Medicina Ayurveda existir há mais de 5.000 anos, aqui no Ocidente, em especial no Brasil ela é um tema novo.

Nos últimos quatro anos temos visto a divulgação crescente sobre Ayurveda em publicações, entrevistas na mídia impressa e falada; o que é excelente para atrair cada vez mais interessados no assunto. Entretanto, é a massagem quem recebe mais interessados e adeptos e por isso tem gerado interpretações equivocadas. Muitas pessoas pensam que o ayurveda é apenas esta massagem aplicada no chão. Esta prática tem inumeros discípulos e foi denominada Ayurvedica.

Muito efetiva, tem inumeras indicações e ótimos resultados. É indiscutivel a sua eficiência relaxante. Entretanto, esta massagem tão divulgada aqui no Brasil, como na Itália e Portugal onde atuo, é um estilo criado por uma indiana chamada Kusum Modak, que vive em Pune, India. Esta massagem é um mix do Thai yoga (com alongamentos e postura de yoga passiva), acupressura e uso de óleo. Esta senhora criou seu proprio estilo e vem ensinando há varios anos a muitas pessoas, que a divulgam pelo mundo. Os alongamentos atuam como uma fisioterapia muito boa em certos casos.

Recentemente Kussum Modak esteve no Brasil (São Paulo) e quando foi questionada sobre os Doshas, óleos indicados para cada um, etc. ela demonstrou indignação total, pois ela mesma confirmou que sua massagem NADA tem a ver com Ayurveda, que ela não leva em conta a questão de Doshas ou qualquer assunto relacionado a Ayurveda. Ela ensina manobras. Mostrou decepção e até perguntou e gostaria de saber quem estava fazendo isso com o seu método. Portanto, esta massagem que tem sido tão divulgada no Brasil como Massagem Ayurvedica, deveria receber outro nome, inclusive algo autorizado por sua criadora talvez.

Acho importante esclarecer e que isso cada vez mais divulgado, que muitos mestres criam os seus estilos de massagem, como o Harish Johari por exemplo, com outras manobras. Há tambem a massagem energética ou rejuvenescedora estilo de Kerala (sul da India), chamada chavutti e aplicada com os pés, como tambem a Kalarypayattu vinda das martes marciais Indianas integrada a Sidda.

Assim muitas massagens surgiram e têm ótimas aplicações, mas é imprescindível esclarecer, que a medicina Ayurveda vai muito além disso; em sua tradição nos tratamentos panchakarmas, sequer utiliza nada parecido com essa massagem feita de manobras de thai-yoga. Nós profissionais ayurvedicos, aplicamos abhyanga e os tratamentos todos feitos na drhoni não há indicação de pós de ervas como Vekandi para todas as pessoas, como é de uso, pois pode agravar o desequilíbrio em alguns casos.

É preciso uma análise detalhada antes de qualquer procedimento, para saber qual óleo indicado, se é apropriado ou uso de pó e quais outros procedimentos, shirodhara não e para qualquer um e existem procedimentos sérios a serem seguidos; período, estações e de forma indivualizada. Daí os anos de estudos e prática acompanhada de vaydas ou profissionais dedicados ao Ayurveda.

Portanto a medicina não exclui a importância desta massagem contanto que ela seja tambem feita por um profissional competente, mas é algo diferente e requer maior análise antes de qualquer atendimento.

Fernanda Güss (Surya Kendram)

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Os efeitos ayurvédicos da prática de Asana

Por David Frawley

De acordo com a filosofia do Yoga, o corpo físico é uma manifestação de consciência. É uma cristalização dos padrões kármicos (comportamentais) creados pela mente. Assim sendo, a chave para trabalhar com o corpo é compreender a consciência que lhe está por detrás, muita da qual encontra-se para além da nossa compreensão normal. Isto requer que pratiquemos asanas conscientes não só dos aspectos técnicos das posturas, mas também dos estados mentais e emocionais que criam dentro de nós.

A Ayurveda partilha esta teoria do Yoga; vê o corpo como uma manifestação dos doshas, que não são energias apenas físicas, mas também prânicas e psicológicas – factores de consciência. Não pudemos analisar o impacto dóshico dos asanas a um nível puramente físico, mas devemos também considerar os seus efeitos psicológicos.

O Yoga vê os asanas não apenas como poses estáticas, mas como condições de energia que, por sua vez, são manifestações da consciência. A energia e atenção que focamos numa posição são tão importantes como a própria posição. Podemos ver isto na vida do dia-a-dia, na maneira como a forma como nos sentimos a nível psicológico afecta como nos movimentamos a nível físico. Os padrões de sentimento e energia a longo prazo determinam a forma e o ritmo do corpo.

Asana como Estrutura Física

No seu nível mais básico, um asana é uma posição física, uma espécie de gesto corporal. Na prática de asana, colocamos o corpo numa posição que tem um resultado específico e cuja mensagem depende da forma que cria com o corpo. Cada asana tem o seu próprio efeito estrutural. Posições sentadas providenciam estabilidade da coluna. Algumas posições criam flexibilidade na parte posterior das pernas. Sendo que a maioria das posições sentadas geram estímulos parassimpáticos, criam uma influência calmante agradável. Poses de pé aumentam a força geral e os níveis de energia. Posições de inclinação para trás tendem a excitar-nos (estimulação simpática), aumentam a extensão da coluna, e geram força nos músculos elevadores do tronco. Posições de relaxamento nivelam e acalmam as energias geradas pelas nossas práticas de asana. Todos os asanas, quer em grupo, quer individuais, têm as suas próprias energéticas dependendo do que fazem ao corpo. Tal como uma casa, têm a sua própria arquitectura.

No entanto, na medida em que os nossos corpos não têm todos a mesma estrutura, a experiência de um asana irá variar dependendo da constituição, flexibilidade e condição orgânica do indivíduo. O efeito de um asana é a combinação da estrutura do asana, que é a mesma para toda a gente, e a estrutura corporal individual a cada pessoa, que irá variar não só de pessoa para pessoa, mas também na mesma pessoa ao longo do tempo.

Asana como Energia Prânica

O corpo físico é um veículo para as nossas energias internas, que são definidas através de Prana. Os Asanas são veículos através do qual o Prana é dirigido. Um asana não é apenas uma estrutura física, mas sim uma condição de energia. Os asanas expresam uma qualidade de energia, e até as posições calmantes podem conter uma condição de mente e Prana dinâmica. Este facto transmite a todos os asanas uma certa neutralidade nos seus efeitos energéticos, tal como um veículo por si só é neutro, com o objectivo do seu destino dependendo do condutor. O asana é como um carro, com Prana sendo a força de condução. Não é uma questão de ter o veículo certo, mas também de se mover na direcção certa. O impulso prânico por detrás do asana é tão importante como o próprio asana.

Isto significa que, dependendo da forma como dirigirmos o nosso Prana, o mesmo asana pode levar-nos a diferentes lugares. Por exemplo, uma posição sentada realizada com pranayama forte pode ter um efeito altamente energético, enquanto que se efectuado com uma respiração normal, irá relaxar-nos, ou até mesmo adormecer-nos. As energias prânicas de um asana dependem de vários factores, incluindo quão rapidamente assumimos a postura, a quantidade de força que utilizamos e, acima de tudo, a forma como respiramos durante o asana. De facto, o objectivo da prática de asana é acalmar o corpo para que possamos trabalhar o nosso Prana. O Prana manifesta-se quando o corpo está parado, daí a importância das posições sentadas para a cura interna.

Asana como Pensamento e Intenção

Um asana consiste não só de estrutura e energia, mas também reflecte pensamento e intenção. Poderíamos considerar o asana uma forma de exercício “pensativa” ou “mental”. Os efeitos de um asana variarão dependendo se a nossa mente está livre ou obstruída, e se as nossas emoções estão calmas ou turbulentas. Podemos realizar um asana com precisão técnica, mas o nosso estado de espírito irá determinar quão libertador o asana será para a nossa consciência.

O nosso estado de espírito reflecte-se na nossa respiração. Quando a mente está calma, a respiração está calma. Quando a mente está perturbada, a respiração está perturbada. Assim sendo, as energias mentais e prânicas funcionam em conjunto. Sendo que podemos alterar os efeitos prânicos de um asana através da respiração, podemos também alterar os efeitos mentais de um asana através da concentração e meditação. Um asana deverá ser uma espécie de meditação em forma ou movimento. Assim sendo, devemos sempre colocar as nossas mentes num espaço sagrado de silêncio, observação e isolamento antes de praticar Yoga.

Se a nossa consciência não se envolver durante o asana, então a nossa prática permanece a um nível superficial. O Prana segue a energia da atenção; a postura corporal é um resultado disso. O tipo de postura que uma pessoa tem reflecte a sua posição na vida, e o que fazem mais regularmente; essa é a razão porque muitos de nós andamos curvados – a nossa principal postura é sentados a uma secretária, no carro, ou num sofá! Isto coloca a nossa energia no nosso exterior, de modo que a nossa energia interna afunda-se ou colapsa.

Resumindo, o efeito estrutural de um asana é o primeiro factor. A forma como energisamos o asana através do Prana é o segundo; isto inclui a forma como nos movimentamos durante o asana, e como respiramos. O nosso estado de espírito é o terceiro factor. A principal regra na prática de asana é manter a mente calma, unida e atenta, para que não percamos o nosso ponto focal na prática. Devemos considerar todos os três factores relativamente a um exame ayurvédico dos asanas. Todos estes factores encontram-se interrelacionados. Frequentemente, o dosha contém a chave para o estado estrutural, prânico e emocional de uma pessoa.

Efeitos Ayurvédicos dos Asanas

Casa asana tem um efeito específico bem-definido, relativo aos três doshas. Isto assemelha-se à forma como a Ayurveda classifica os alimentos relativamente aos seus efeitos dóshicos como bons ou maus para o Vata, Pitta e Kapha, dependendo dos sabores e dos elementos que compõem cada alimento. Podemos analisar diferentes asanas dependendo da sua capacidade estrutural para aumentar ou diminuir os doshas.

No entanto, esta equação dóshica dos asanas não deve ser entendida de forma rígida, pois o efeito prânico de um asana pode ultrapassar o seu efeito estrutural, tal como já verificámos. A forma de um asana não é o seu factor principal. Através do uso da respiração, podemos modificar ou mesmo alterar os efeitos dóshicos do asana. Devemos também relembrar a importância do pensamento e intenção na prática do asana. Considerando o asana, o Prana e a mente, podemos alterar uma asana em particular ou ajudar a prática inteira em direcção a um resultado dóshico em particular. Através da combinação de asanas específicos, pranayama e meditação, um balanço interno completo pode ser criado e mantido.

A aplicação dóshica dos asanas é dupla:

– De acordo com a constituição do indivíduo, definida pelo seu tipo dóshico como Vata, Pitta e Kapha, e as suas intermisturas;

– Relativamente ao impacto do asana nos doshas como funções fisiológicas gerais. Cada dosha tem os seus locais e acções no corpo, que os asanas irão afectar consoante a sua orientação.

Aplicação Constitucional

Os indivíduos do tipo Vata possuem uma estrutura corporal diferente e movem-se de maneira diferente do que os indíviduos do tipo Pitta, ou Kapha. Do mesmo modo, os indivíduos Pitta e Kapha têm os seus próprios movimentos e posturas que assumem como parte da assinatura dóshica nos seus corpos e mentes. Esta diferença entre os doshas é reflectida na pulsação de cada tipo.

Os indivíduos Vata têm uma pulsação de tipo serpenteante. Movem-se de forma serpenteante – como uma descarga eléctrica, com movimentos rápidos, abruptos, imprevisíveis e irregulares. A sua energia interna e pensamentos têm a mesma rapidez, brilho, imprevisibilidade e discontinuidade.
Os indivíduos Pitta têm uma pulsação do tipo sapo, de natureza cerrada. Movimentam-se como um sapo – saltando em movimentos constantes até atingirem o seu objectivo próprio. O seu movimento assemelha-se a uma chama, que aumenta quando alimentada com combustível novo. Agem de maneira focada e com determinação, actuando passo a passo. A sua energia interna e pensamentos têm a mesma fluidez e movimentos determinados.
Os indivíduos Kapha têm uma pulsação do tipo cisne, que é ampla e flutuante. Movimentam-se como um cisne – lentamente, elegantemente, demorando o tempo necessário numa forma ondulante. A sua energia é como um rio lento e sinuoso, que demora o seu tempo durante o percurso, assegurando a chegada ao seu objectivo primordial. No entanto, quando o Kapha acumula, o seu movimento assemelha-se a água passando por zonas pantanosas, com resistência e levando à estagnação. A sua energia interna e pensamentos têm os mesmos movimentos aquosos e possível inércia.

Cada tipo dóshico tem a sua própria estrutura e energética de vida, que se extende à prática de asana. A prática de asana deve ter em conta o dosha do indivíduo, de modo a ser realmente eficiente.

A energia Vata é impulsiva e errática, como o vento que sopra forte mas que não dura muito tempo; no entanto, se oposta, irá fugir ou partir-se. O Vata deve ser restringido gentilmente, suportado e estabilizado. Deve ser harmonizado e dado continuidade de forma consistente e determinada.
A energia Pitta é focada e penetrante, e pode cortar e causar danos. Deve ser gentilmente relaxada e difundida. É como um foco de luz que magoa a vista e abrange um campo de iluminação pequeno mas, quando expandido, pode ser uma verdadeira força de iluminação.
A energia Kapha é resistente e complacente. Deve ser movida e estimulada aos poucos, como o gelo que deve ser derretido lentamente até poder fluir suavemente. Devemos energisar e estimular o tipo Kapha de forma consistente.

No entanto, o facto de um asana poder não ser bom para um tipo dóshico em particular não significa que ele nunca o deva realizar. Significa que ele deve praticar o asana numa maneira que proteja contra quaisquer potenciais faltas de balanço. Por exemplo, as inclinações para trás, se realizadas com a toda a extensão com força ou muito rapidamente, podem causar uma agravamento severo do Vata, com danos graves para o sistema nervosa possivelmente superiores aos de qualquer outro asana. No entanto, inclinações para trás parciais e suaves são óptimas para reduzir o Vata que se acumula na região superior das costas e ombros.

Cada grupo de asanas, tal como as posições em pé, inclinações para a frente ou posições invertidas, apresentam diversos benefícios para o corpo e o seu potencial movimento. Cada grupo de asanas exercita certos músculos e órgãos que, sendo parte da nossa estrutura corporal total, não devem ser neglicenciados. Para neutralizar algumas tendências para a falta de balanço, deve escolher posições dentro de cada grupo de asanas sejam melhores para o seu tipo corporal do que outras dentro do mesmo grupo. No geral, deve assegurar-se que todos os grupos musculares principais no corpo são representados na sua prática de asanas pelo menos vários dias por semana.

Do mesmo modo, o facto de um asana ser bom para um dosha em particular não significa que todas as pessoas desse tipo dóshico devam realizá-lo. Significa que esse asana pode ser bom para elas se for realizado de maneira correcta, e se elas forem fisicamente capazes de o realizar. Cada asana tem o seu grau de dificuldade, que pode requerer certas posições de aquecimento ou preparação para que possa ser realizado com segurança. Por exemplo, a preparação correcta para fazer o pino cria a musculatura nos braços e ombros necessária para suster um balanço bom e seguro. O facto de fazer o pino poder ser bom para o seu tipo dóshico não significa que deva simplesmente realizar logo essa posição ou realizá-la sem possíveis efeitos secundários.

Os efeitos de asanas diferentes variam consoante a sequência em que são realizados. Isto significa que a prática de asana deve sempre ser vista como um todo – não apenas como os diferentes asanas individuais que a compoem, mas também em termos do fluxo e relação entre todos os asanas realizados. A prática de asana – significando a sequência e a maneira de realização dos asanas, tal como os asanas específicos – deve ser concebida de forma a manter os doshas balançados relativamente à constituição e condição do indivíduo.

É útil pensar numa sequência de asana como sendo uma fórmula herbal. Uma fórmula ayurvédica herbal contém uma variedade de ervas utilizadas para diversos fins, que contribuem para o efeito geral da fórmula, cumprindo certos papéis específicos. O efeito dóshico geral da fórmula é determinado pela fórmula como um todo, e não por cada erva que contém vista de forma isolada. Combinando estas considerações ayurvédicas com os factores gerais listados acima, de modo a poderem recomendar asanas de forma eficiente, os professores de asanas devem aprender a:

Analizar o tipo ayurvédico e faltas de balance do indivíduo;
Analizar a condição estrutural do indivíduo, incluindo a sua postura, idade e condição física;
Analizar a sua condição prânica, o seu control da respiração e sentidos, e a sua vitalidade e entusiasmo;
Analizar o estado de espirítod da pessoa, a sua atenção, vontade e motivação, tal como a sua condição emocional.

O mesmo asana deve ser realizado de forma diferente consoante o indivíduo seja Vata, Pitta ou Kapha. O mesmo asana deve ser realizado de forma diferente dependendo da idade, sexo e condição física do indivíduo. Deve variar dependendo se o indivíduo possui muita ou pouca vitalidade. Outras variações adicionais irão ocorrer se a pessoa se encontrar zangada, stressada ou deprimida. Isto reflecte os quatro objectivos principais para a prática de asanas ayurvédica.

1. Balançar os doshas.

2. Melhorar a condição estrutural do corpo.

3. Facilitar o movimento e desenvolvimento do Prana.

4. Acalmar e energizar a mente.

TIPOS AYURVÉDICOS CORPORAIS E A PRÁTICA DE ASANA

Para compreender o potencial dos asanas em diferentes indivíduos, é importante olhar para eles de acordo com o seu tipo corporal dóshico.

Tipo Corporal Vata

Os indivíduos Vata possuem ossos longos e finos que são frequentemente fracos ou quebradiços. Possuem um baixo peso corporal e fraco desenvolvimento muscular, mas são bastante velozes e flexíveis. A sua estrutura óssea torna-os bons na realização de inclinações e alongamentos, especialmente de braços e pernas, quando são jovens. No entanto, à medida que envelhecem, a qualidade seca do Vata aumenta e leva-os a perder mobilidade se não se exercitarem regularmente.

Um asana lento e suave, realizado de forma uniforme e balançada em ambos os lados do corpo, é o exercício ideal para os indivíduos Vata. Os Vatas necessitam de praticar asanas porque estes aliviam o Vata que facilmente se acumula nas costas e ossos. As doenças Vata começam por uma acumulação de ar com sentido descendente (Apana Vayu) no cólon, que é transferido para os ossos, onde causa problemas ósseos e articulares. O Vata beneficia da acção de massagem dos asanas nos músculos e articulações, onde liberta a tensão nervosa e balança o sistema.

– Potencial Negativo do Vata

Os indivíduos Vata sofrem comumente de rigidez devido à secura e deficiência dos seus tecidos. A sua falta de peso corportal não proporciona uma protecção adequada das articulações e nervos, ou a hidratação necessária aos tecidos. São mais susceptíveis a lesões porque gostam de realizar movimentos rápidos e abruptos, e chegar aos extremos na sua prática de asana.

– Potencial Positivo do Vata

Os indivíduos Vata gostam de movimento e exercício. Preferem ser activos e expressivos, tanto física como mentalmente, e gostam de fazer coisas novas. O asana é algo que apreendem facilmente e ao qual se acostumam como parte da sua natureza activa. É uma forma calmante de se exercitarem.

Vata Bloqueado e Deficiente

Existem duas condições básicas do Vata, chamadas Vata bloqueado ou Vata deficiente. O Vata bloqueado exibe uma energia presa algures no corpo, juntamente com dor ou desconforto, mas com peso corporal normal. O Vata deficiente exibe baixa energia, baixo peso corporal e hipersensibilidade, frequentemente sem dor aguda. O Vata bloqueado requer movimentos orientados ou asanas prânicos para a sua libertação. O Vata deficiente requer uma aproximação gentil e trabalhada, evitando cansaço forte. O Vata bloqueado é mais comum em indivíduos jovens com energia adequada mas bloqueada, enquando que o Vata deficiente é mais frequente nos idosos, cuja qualidade tecidular está em declínio.

Tipo Corporal Pitta

Os indivíduos Pitta possuem uma estrutura corporal mediana, com bom desenvolvimento muscular e laxidez articular, o que lhes confere uma quantidade razoável de flexibilidade. São bons na prática de asana, mas são incapazes de realizar algumas das posições mais exóticas que os Vata conseguem realizar, pois possuem ossos mais curtos. Os Pittas beneficiam da prática de asana para acalmar a cabeça, o sangue e o coração, e libertar a tensão. Por exemplo, os Pittas tendem a sofrer de hipertensão devido ao seu temperamento fogoso que os leva a quererem sempre ser bem-sucedidos ou vencer.

– Potencial Negativo do Pitta:

Os indivíduos do tipo Pitta tendem a ser irascíveis e irritáveis devido a calor interno excessivo. Podem ter falta de paciência para iniciar ou manter a prática de asana ao longo do tempo. Por outro lado, uma vez envolvidos, podem sobrerealizar posições e ser agressivos e militantes na sua prática. Um Pitta que foi longe demais na sua prática irá sentir-se mais irritável, ou até zangado, depois de ter terminado. Os Pittas também tendem a limitar-se às posições que conseguem realizar bem, e ignorar as que podem ajudá-los a mais desenvolvimento.

– Potencial Positivo do Pitta

Os Pittas possuem a melhor capacidade de foco e determinação de todos os tipos dóshicos. Conseguem assumir disciplina e prática consistente e determinada, uma vez iniciada e orientada de forma correcta. São o tipo mais ordenado e consistente dos tipos dóshicos, apenas necessitam de descobrir o caminho correcto para orientar as suas energias.

Tipo Corporal Kapha

Os Kaphas são frequentemente baixos e bem constituídos, ganhando peso com facilidade. Com os seus ossos curtos e largos, têm falta de flexibilidade e não conseguem realizar posições que a requiram, tal como a posição de lótus. No entanto, são fortes e possuem a maior capacidade de resistência dentro dos diferentes tipos. Os Kaphas necessitam de movimento e estimulação para combater a sua tendência para a complacência e inércia. São bons a continuar uma prática por longos períodos de tempo, uma vez que a tenham iniciado.

– Potencial Negativo do Kapha

Os Kaphas tendem a ter excess de peso, o que limita os seus movimentos e torna-os sedentários. Sofrem frequentemente de congestão pulmonar, o que lhes dificulta a respiração profunda. Apresentam pouca capacidade de esforço positovo, e têm dificuldade em mudar se não forem estimulados externamente. Necessitam de estimulação constante para fazer mais, ou desistirão rapidamente dos seus esforços.

– Potencial Positivo do Kapha

Os Kaphas são constantes e consistentes no que fazem. Uma vez que comecem a fazer algo, conseguem fazê-lo fielmente ao longo do tempo. Permanecem calmos emocionalmente e durante a sua prática, independentemente dos resultados. Vêm a vida com amor, e trabalham como um serviço.

A Maneira Ayurvédica de Realizar Asanas

A Ayurveda não olha para os asanas como formas fixas que por si só ou aumentam ou reduzir os doshas. Olha para elas como veículos para a energia que pode ser utilizada para ajudar a balançar os doshas, se for utilizada de forma correcta. Este princípio é semelhante para a visão ayurvédica dos alimentos. Enquanto que alimentos específicos individuais têm os seus efeitos específicos para aumentar ou reduzir os doshas, a maneira como os alimentos são confeccionados, a maneira como as especiarias são adicionadas, como são combinados, ou como são cozinhados para misturar as qualidades dos alimentos num todo harmonioso, é tão significativa como os próprios alimentos individuais.

Enquando que a Ayurveda diz que os alimentos de certos sabores têm maior capacidade de aumentar ou reduzir doshas específicos, diz também que necessitamos de algum grau de todos os sabores. Do mesmo modo, também necessitamentos de todos os tipos principais de asanas a algum nível. São o grau e extensão que variam consoante o tipo dóshico. Cada indivíduo requer uma gama completa de exercícios que lidem com a gama de movimentos do seu corpo.

A sua prática geral de asana deve ser como uma refeição. Cada refeição deve conter algum grau de todos os seis sabores (doce, ácido, salgado, picante, amargo e adstringente) e alguma quantidade de todos os tipos de nutriente necessários ao organismo (amidos, açúcares, proteínas, lípidos, vitaminas e minerais), mas de forma ajustada às necessidades da constituição de cada indivíduo. Do mesmo modo, também a prática de asanas deve conter todos os tipos de asana necessários ao exercício e relaxamento do corpo inteiro, ajustado aos factores constitucionais individuais. Deve incluir posições sentadas, inclinadas e em pé, e movimentos expansivos, contractivos, ascendentes e descendentes, mas numa maneira e sequência que nos mantenha balançados e tenha em conta a nossa condição individual estrutural, energética e mental.

Pontos-Chave para Praticar Asana para o seu Tipo:

Tipo Vata

Geral – Mantenha a sua energia firme, nivelada e consistente; modere e contenha o seu entusiasmo.

Corpo – Mantenha o corpo calmo, centrado e relaxado; realize o asana lentamente, gentilmente e sem uso abrupto ou desnecessário de força, evitando movimentos abruptos.

Prana – Mantenha a respiração profunda, calma e forte, com ênfase na inalação.

Mente – Mantenha a mente calma e concentrada, fixa no presente momento.

Tipo Pitta

Geral – Mantenha a sua energia refrescada, aberta e receptiva, como uma lua em quarto Crescente.

Corpo – Mantenha o seu corpo refrescado e relaxado; realize os asanas de modo aberto, para remover o calor e a tensão.

Prana – Mantenha a respiração refrescada, relaxada e difundida; expirar através da boca para reduzir o calor conforme necessário.

Mente – Mantenha a mente receptiva, isolada e consciente, mas não de forma cortante ou crítica.

Tipo Kapha

Geral – Certifique-se que fez o aquecimento necessário, e depois realize o asana com força, velocidade e determinação

Corpo – Mantenha o corpo leve e em movimento, morno e seco.

Prana – Mantenha o Prana em movimentos ascendentes e circulantes; respire de forma profunda e rápida para manter a energia se necessário.

Mente – Mantenha a mente entusiasmada, acordada e focada, como uma chama.

Do livro Yoga for Your Type, de David Frawley e Sandra Kozak (Lotus Press)
Tradução de R. A.
http://dharmacaminhoparaaverdadesuperior.blogspot.com/

Era de Kali Yuga

KALI-YUGA

por Marcio Isael(ZAYASH)

A Kali Yuga é a quarta e mais densa das grandes quatro Yugas(eras)do calendário Hindu, correspondendo, por analogia, à idade de ferro dos Gregos, período no qual os valores morais declinam e a materialidade sobrepuja a espiritualidade. O termo KÂLI (negra) é referente a Deusa Parvarti, consorte/atributo de SHIVA, responsável pela morte de tudo que é vil, grosseiro e decrépito.

Fazendo um paralelo com as quatro estações, a idade de Kali corresponde ao inverno, estação onde a escassez exterior e a hostilidade ambiental conspiram para que busquemos as reservas interiores e o aconchego do fogo(agni)em nossa morada espiritual (ashran). A decepção com o mundano, os excessos esgotados e as inversões de valores congelam o amor e a sabedoria. Todavia, tão logo o Sol da Satya Yuga (IDADE DA VERDADE) avança e a precessão dos equinócios confirma a Lei de ciclos, o degelo ocorre e a vida volta para o exterior.

Que possamos, nesse entretempo de crepúsculo e alvorada, buscar o calor terno dos planos interiores e evocar a Hierarquia Espiritual Planetária, pois só assim, poderemos transpor a turbulência típica de uma grande transição de “águas”(de peixes – a água horizontal, para aquário – a água dispensada do alto, vertical).

As Yugas e suas durações são:

-Satya Yuga (Idade de ouro,ou da verdade) – 1.728.000 anos
-Tretâ Yuga (Idade de prata) – 1.296.000 anos
-Dwapara Yuga (Idade de bronze) – 864.000 anos
-Kali Yuga – 432.000 anos
______________________________________
Total 4.320.000 anos

O texto abaixo foi extraído do segundo volume da obra “A Doutrina secreta” de H. P. Blavatsky, mas o texto original em sânscrito, pertence ao Purana (livro antigo) de Vishnu(A Segunda Pessoa da Trimurti Hindu), escrito há 5.000 anos.

“Haverá monarcas contemporâneos reinando sobre a Terra, reis de espírito mau e caráter violento, voltados à mentira e à perversidade. Farão matar mulheres, crianças e vacas; cobiçarão as mulheres dos outros; terão poder limitado, suas vidas serão curtas, seus desejos insaciáveis; gentes de vários países, unindo-se a eles seguirão seus exemplos; e, sendo poderosos os bárbaros, sob a proteção dos príncipes, e afastadas as tribos puras, perecerá o povo. A riqueza e a piedade diminuirão dia a dia, até que o mundo se depravará por completo; a classe será conferida unicamente pelos haveres; a riqueza será a única fonte de devoção; a paixão o único laço de união entre os sexos; a falsidade o único fator de êxito nos litígios; as mulheres serão usadas como objeto de satisfação puramente sexual; a aparência externa será o único distintivo das diversas ordens de vida; a falta de honestidade, o meio universal de subsistência; a fraqueza a causa da dependência; a liberdade valerá como devoção; o homem que for rico será reputado puro; o consentimento mútuo substituirá o casamento; os ricos trajes constituirão a divindade; reinará o que for mais forte; o povo não podendo suportar os pesados ônus (o peso dos impostos) buscará refúgio nos vales. Assim, na idade de Kali (ferro) a decadência prosseguirá sem detença, até que a raça humana se aproxime do seu aniquilamento (Pralaia). Quando o fim da idade de Kali estiver perto, descerá sobre a Terra uma parte daquele Ser Divino que existe por sua própria natureza espiritual (Kalki Avatar); Ele restabelecerá a justiça sobre a Terra e as mentes que viverem até o fim da Kali Yuga serão despertadas e serão tão diáfanas como o cristal. Os homens assim transformados serão como sementes do verdadeiro homem (Eu Superior).”

A idade de Kali começou quando o Avatara Krishna abandonou o seu corpo físico, há exatamente 5.000 anos. A Kali Yuga dura, em seu ciclo maior, 432 mil anos, sendo a 4a. e a mais densa das 4 Yugas. Nestes 5.000 anos tudo o que foi previsto para ocorrer ao longo do seu tempo, já está acontecendo de forma condensada.

Mas vale ressaltar que cada Yuga contém as outras em si. Portanto, se a Kali Yuga começou pelo seu próprio sub-ciclo(kali-Kali),logo teremos a Satya Yuga dentro da Kali (Kali-Satya), fato há muito anunciado por diversas tradições, inclusive a do Povo MAIA, que compartilha muitos números e datas com as tradições Védicas e Egípcias

Medicina Ayurvédica & Qualidade de Vida

Hoje em dia fala-se muito em Qualidade de Vida, mas você sabe o que isso significa? O Grupo WHOQOL (Qualidade de Vida da Organização de Saúde Mundial), um grupo de pesquisa mundial organizado pelo Organização Mundial de Saúde, começou em 1991, com uma ampla definição de qualidade de vida. Qualidade de vida está definida como “as percepções que os indivíduos têm da sua posição na vida no contexto da cultura e sistemas de valor nos quais eles vivem em relação às suas metas, expectativas, padrões e preocupações.” Não há consenso sobre uma definição de Qualidade de Vida, embora haja uma concordância geral entre peritos que ela reúne bem-estar social e psicológico assim como o estado de saúde.

A Qualidade Geral de Vida é ainda mais ampla em seu conceito e inclui a avaliação do indivíduo em todos os aspectos da vida, incluindo fatores como a segurança do ambiente no qual ele vive, se ele tem acesso a serviços de assistência à saúde e a serviços sociais, além de levar em conta o estado espiritual atual deste indivíduo.

Trata-se de uma avaliação subjetiva, na medida que inclui dimensões positivas e negativas, embutidas dentro um contexto cultural, social e ambiental.

Sabendo do que é relevante na avaliação da Qualidade de Vida das pessoas, vamos conhecer um pouquinho sobre Ayurveda.

Ayurveda é a tradicional ciência da saúde da India e significa “conhecimento da vida”; é a ciência da saúde mais antiga da humanidade, possuindo mais de 5000 anos de existência e a partir da qual muitas outras emergiram. Enfatiza a harmonia mente-corpo, segundo as leis da Natureza. As raízes desta palavra vêm do sânscrito: Ayur e Veda. Ayur significa vida e Veda significa conhecimento ou ciência.

A sabedoria ayurvédica desenvolveu-se através das mentes meditativas dos rishis, os videntes hindus da verdade, quando perceberam que a consciência era energia emanada a partir dos cinco elementos básicos: Éter, Ar, Fogo, Água e Terra.

A origem do Ayurveda vem dos Vedas, os mais antigos manuscritos disponíveis no mundo hoje. Tratam-se de livros onde estão registradas informações científicas e práticas sobre vários assuntos benéficos à humanidade como saúde, filosofia, engenharia, astrologia, etc.

Como a Medicina Ayurvédica pode contribuir para a melhoria da Qualidade de Vida? Podemos deduzir de tudo que foi lido, que a palavra-chave para se viver bem é HARMONIA e o ponto em comum entre Qualidade de Vida e Ayurveda é a saúde global que engloba corpo-mente e espírito.

O que acontece no mundo hoje? Paralelamente aos avanços da medicina, a expectativa de vida aumentou assim como a competitividade entre as pessoas. Por outro lado a Qualidade de Vida da população, de um modo geral, diminuiu. O conjunto destes fatores, somados aos maus hábitos da vida moderna, como má alimentação, falta de atividade física e noites mal dormidas, vão gerar o estresse que, por sua vez, provocará reações do corpo. Estas reações desgastam os mecanismos fisiológicos que o corpo possui para manter-se em equilíbrio, fazendo com que o organismo funcione mal e sobrevenham as doenças. Assim, muitas idéias surgiram sobre como evitar que o estresse afete nossas vidas; obviamente é impossível uma vida totalmente sem estresse, que naturalmente faz parte do “estar vivo”. Porém, devemos buscar formas de prevenir o “mal estresse”, gerador de desequilíbrios, e é aí que entra a Medicina Ayurvédica, parte da ciência védica, e que utiliza na sua abordagem terapêutica plantas medicinais, dieta, exercícios físicos, meditação, yoga, massoterapia e aromaterapia, além de outros recursos.

Sem compreender nossa constituição particular, nossa saúde enfraquece e sobrevém a doença. O que se observa é que não há uma medicina que identifique adequadamente todas as variantes que existem entre as pessoas, tratando-as de modo diferenciado. Infelizmente a medicina convencional costuma dar mais atenção às doenças do que aos doentes. A medicina oriental, como a chinesa e a ayurvédica, ao contrário, reconhece os tipos individuais e nos ajuda a entender nossas particularidades, nossas tendências.

Atualmente, o mundo inteiro tenta resgatar uma harmonia mente-corpo que foi perdida ao longo de muitas centenas de anos e nunca se buscou tanto uma vida mais saudável: uma dieta equilibrada, uma boa digestão, horas restauradoras de sono. O Ayurveda traz esta harmonia para nossas vidas e sua prática é indicada para promover a felicidade, a saúde e o desenvolvimento criativo. Segundo esta filosofia, onde há harmonia há saúde; onde há desarmonia, há doença. A palavra harmonia, neste contexto, refere-se à integração que temos com o meio ambiente (natureza), através de nossos 5 sentidos. Em resumo, saúde é um estado de felicidade.

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Dra. Maria Stela De Simone
Clínica Geral – Fitoterapia – Acupuntura – Ayurveda
Diretora do Centro de Medicina Indiana do Rio de Janeiro
http://www.medicinaindiana.com.br

Amor Incondicional

A Lei é o Amor! Não existe nenhuma outra maneira de atingirmos nossa paz interna a não ser pela expressão do Amor Incondicional. E o que significa este Amor Incondicional? É tão divino que o humano tem dificuldade até na compreensão desta expressão… é o caminhar na vida levando compaixão, compreensão, perdão, tolerância, desapego… dar valor ao que realmente tem valor, é não ficar preso a palavras, gestos, fatos, eventos, situações emocionais; é relevar com compaixão as mágoas, as injustiças, as decepções vividas no nosso cotidiano… é compreender que tudo isto é muito pequeno comparado com a grandeza da alma, com a grandeza da vida. É caminharmos fazendo a nossa parte, amando ao próximo como a nós mesmos, entregando a Deus, à vida, todas as situações conflitantes, dolorosas, que momentaneamente possamos estar incapacitados para darmos a melhor solução, a resposta mais adequada.

É a certeza de que tudo na Terra é ilusório, passageiro, transitório… é só uma pequena viagem. Mantermos sempre na nossa mente, no nosso espírito, a visualização da nossa grande meta, que é o amadurecimento da nossa alma, o atingirmos a consciência maior, a lucidez da vida… e é isto, somente isto que verdadeiramente importa.

Com esta visão, com esta postura, caminhamos com leveza, com soltura, com alegria, com aceitação e tolerância… pois as emoções são ilusões, a dor é ilusão, a caminhada terrena é ilusão, o humano é ilusão… Deus é Real. O Divino é Real. A Consciência é Real. O Espiritual é Real. A Morte é ilusão do ego mas é Real, pois é a passagem para o Plano Real. Amar incondicionalmente é amar além, apesar das ilusões, é amar sem esperar retorno, pois o retorno real é Divino, o retorno real é a simples alegria de expressarmos o amor. A verdadeira felicidade é termos a capacidade de expressar o amor.

Convido vocês a fazerem um Jogo de Faz de Conta:

– Vivenciem um dia inteiro fazendo de conta que sabem amar incondicionalmente.

– Sejam pacientes e tolerantes.

– Relevem as pequenas mágoas, os pequenos ressentimentos.

– Olhem nos olhos do outro.

– Exercitem a solidariedade, a compaixão, o companheirismo.

– Evitem a autocrítica negativa e a crítica ao outro.

– Priorizem atividades que visem ajudar o próximo.

– Se permitam ter tempo para si mesmo e para o outro.

– Façam de conta que estão perdoando a si mesmo, a tudo e a todos.

– Façam de conta que vocês se amam e se respeitam e que também amam e respeitam o outro.

– Imaginem que amam a humanidade além dos interesses do ego.

– Sorriam, sejam gentis e atenciosos.

– Expressem através da palavra e dos gestos calma, alegria, esperança e carinho.

Quem sabe poderemos descobrir – através deste jogo de faz de conta – tanto prazer, tanto contentamento, ao ponto de até decidir incorporar a expressão do amor incondicional no nosso cotidiano, na nossa atitude interna, na nossa postura, na nossa caminhada… Brincando de faz de conta podemos até descobrir a verdade da vida, que é o Amor Incondicional. Vamos brincar de Faz de Conta?

:: Ingrid Dalila Engel ::

Ayurveda e a Terceira Idade

De acordo com o Ayurveda, a partir dos 60 anos começa a haver uma influência da energia de Vata em nosso organismo, fazendo com que haja predominância dos elementos Ar e Éter sobre os outros. Essa influência pode gerar desequilíbrios, que vão se manifestar através de sinais e sintomas diversos como insônia, sensação de frio, digestão irregular, prisão de ventre, dor articular, secura de pele e mucosas, memória fraca, etc.. 

Vata gera irregularidade, instabilidade… o excesso de Vata, tão comum nos idosos, pode ser combatido com uma correção alimentar e adoção de uma nova rotina de hábitos que vão gerar mais equilíbrio e, consequentemente, saúde. As recomendações do Ayurveda para esta faixa etária visam evitar o acúmulo execessivo de “ama”, palavra em sânscrito que designa toxinas, e o rejuvenescimento (Rasaynana). Rejuvenescer para o Ayurveda significa diminuir a velocidade de envelhecimento, restaurar as funções orgânicas e estimular a renovação das células e tecidos

Alimentação nutritiva, quente e úmida (para combater a leveza, o frio e a secura trazidas por Vata), dando prioridade para os sabores doce, salgado e adstringente. Uma dieta com base em frutas e de vegetais frescos e orgânicos, grãos integrais e derivados do leite (sem exagero) traz vitalidade e integridade ao corpo-mente. Evitar sempre que possível alimentos enlatados, congelados ou requentados muitas vezes. Todos eles têm uma coisa em comum: falta de energia vital. Entre a última refeição e o horário de dormir, deve-se dar um espaço de pelo menos 3 horas, para garantir um sono restaurador. As refeições devem ser feitas sempre no mesmo horário, num ambiente de tranquilidade. Deve-se dar atenção especial à ingestão de líquidos – água principalmente – para diminuir a secura. Para uma mente saudável, algumas dicas do Ayurveda: ingestão regular de sementes, como nozes e amêndoas, de plantas medicinais, como o açafrão (Curcuma longae), e uso moderado do ghee, manteiga clarificada. Fazer uma desintoxicação a cada mudança de estação é uma recomendação do Ayurveda para garantir uma boa saúde ao longo dos anos.

Massagem, meditação e Yoga para controle do stress e aumento da energia.

Auto-massagem com óleos medicinais – Abhyanga – é uma das mais melhores formas de controlar o Vata nesta fase da vida: além dos inúmeros benefícios desta prática, que atua sobre todos os sistemas do corpo, ela traz frescor e brilho, tornando-a mais forte. Massagem nas plantas dos pés antes de dormir atenua os estados de ansiedade e aprofunda mais o sono. O óleo mais indicado para massagem é o de gergelim, tradicionalmente utilizado na India, mas há outras opções no mercado que misturam diversos óleos, como oliva, gergelim e gérmen de trigo, com óleos essenciais, como Ylang-ylang, gerânio e lavanda.

Evitar passar muitas horas diante da TV, que embota completamente o pensamento; deve-se treinar o cérebro pra ele mantenha-se saudável – jogo da memória, jogos de carta, leitura, palavras-cruzadas, desenho, pintura…coisas simples que estimulem a memória, o raciocínio e a criatividade. Deve-se sobretudo cultivar o pensamento positivo e a auto-estima.

O mundo moderno, principalmente nosso lado ocidental, está dominado por uma cultura à juventude, o que nos faz sentir cada vez piores à medida que envelhecemos. Contudo, na tradição védica, como em todas as sociedades tradicionais, as pessoas idosas são consideradas como guardiãs da família, da comunidade; compartilham suas experiências e aconselham os mais jovens: esta é uma realidade social saudável. O envelhecimento do corpo faz parte da vida e todos nós chegaremos lá; o que não me parece muito natural é o envelhecimento social, que gera um impacto negativo na saúde destas pessoas.

O idoso não deve isolar-se com pensamentos do tipo “não quero dar trabalho”, “não quero ser um incômodo”. Não se deve confundir com morar sozinho. Uma pessoa idosa pode muito bem viver sozinha, mas não se isolar; ela interage com sua família, faz amizades, vive o momento presente com alegria. Por outro lado, há idosos cercados de pessoas o tempo todo e que, no entanto, são verdadeiras ilhas.

Para ter saúde é preciso disciplina, isso vale em qualquer idade; é uma ilusão acreditar que se pode ter saúde tomando uma pílula mágica que se compra na farmácia. Definitivamente não. A cada fase de nossa vida precisamos fazer um balanço, uma auto-análise. O diferencial do Ayurveda está justamente aí, porque ele coloca em nossas mãos a responsabilidade por nossa saúde, e não o médico ou o psicólogo ou o terapeuta. Na Terceira Idade podemos pensar em trocar um mau hábito por outro mais saudável um hábito, porque não? Esse pensamento cristalizado de que “agora é tarde demais” é que aprisiona nosso ser completamente.

Devemos sempre lembrar que a verdadeira juventude está em nossa mente, está na maneira como percebemos e reagimos às coisas, na intensidade com a qual vivemos o momento. Uma mente leve e sem preconceitos é uma mente livre e é assim que devemos ser para não sermos reféns das circunstâncias que nos rodeiam. A terceira idade pode ser a melhor época de nossas vidas se soubermos apreciar sua verdadeira beleza.

Fonte: http://www.ayurveda.com.br/ayurveda/home/default.asp?Cod=252&cat=210

Do Ego e os Ásanas

ásana 3


Por Tereza Freire, que mora e pratica Yoga em São Paulo. Dirigiu com parceria com Daisy Rocha o documentário “Caminhos do Yoga” filmado em 2003.

http://caminhosdoyoga.blogspot.com/

Foi preciso que eu pegasse uma conjuntivite que me obrigou a parar temporariamente com os ásanas para aprofundar a minha prática de meditação…

Praticar Ashtanga Vinyasa Yoga é paradoxal. Ao mesmo tempo que fortalece o corpo, e consequentemente o ego, a prática também te coloca no devido lugar quando o ego começa a soltar suas asinhas.

Afinal, praticamos Yoga para domesticar este pequeno monstro que habita em todos nós. Mais um paradoxo: é pequeno e é monstro… Pequeno, se pensarmos na imensidão do Ser, e monstro porque exerce um poder imensurável em nossas vidas.

É preciso tomar muito cuidado para a prática de Ashtanga Vinyasa Yoga não virar “Ashtego”. Ela parece ter sido sistematizada para nos testar. Quem pratica seriamente, seis dias por semana, inevitavelmente fica com um corpo forte, saudável e vigoroso.

Mas se este for o fim e não um meio para se chegar num outro patamar, invariavelmente a gente acaba se machucando, porque vai querer fazer ásanas cada vez mais complicados, pois o ego quer sempre mais…

Praticamos ásanas para atingirmos o estado de meditação. Na Índia, muitos praticantes já nem precisam de ásanas. Na sua cultura, as pessoas tem o costume de sentar no chão e não em cadeiras. Qualquer um senta em padmásana. No ocidente, crescemos em cadeiras, não temos o corpo preparado para meditar. Precisamos de ásanas.

É uma prática sedutora, que nos instiga a buscar a perfeição e a harmonia e nos desafia, por conter séries com graus de dificuldade diversos. Portanto, é preciso esforço e perseverança para avançar nas séries. Penso que para pessoas ativas e com dificuldade de manter a concentração e disciplina, pode ser uma prática indicada.

Tenho amigos que não se interessam pelo lado filosófico ou espiritual do Yoga e praticam Ashtanga Vinyasa Yoga todos os dias da semana. Gostam do fato de ser uma prática vigorosa e que produz bem estar e emagrece. E só. Pelo menos, é um começo, penso. Com o tempo, a pessoa verá que está desperdiçando o melhor que o Yoga pode oferecer, que é o auto conhecimento. Que o bem estar é só o começo de um caminho sem volta. E o contato com os professores e mestres abrirão as portas para esta viagem.

Mas descubro que muitas vezes a prática de Ashtanga Vinyasa Yoga acentua o narcisismo e torna-se um fim em si mesmo. Descontextualizamos sua origem, criamos métodos, enfeitamos com luzes, música e figurinos e o que deveria ser uma prática meditativa vira show de talentos. O bom ashtangi passa a ser o bom “ásaneiro”.

Falo com conhecimento de causa porque isso aconteceu comigo. Deslumbrei-me com a prática e desrespeitei meu corpo a ponto de pegar uma conjuntivite que me proibiu por duas semanas de fazer qualquer postura em que minha cabeça ficasse abaixo do coração. Tive que interromper a prática.

Descobri que tinha medo de meditar!!! Tinha me acostumado a fazer um mantra no começo, meditar em movimento, respirar nos ásanas e finalizar com mais um mantra.

Quando me peguei impossibilitada de sair de casa, resolvi encarar: meu corpo me dizia que precisava descansar. Não tinha como fugir da meditação.

Yogashchittavritti nirodhah.
[Yoga é a desidentificação com as flutuações do ego-mente]

Fechei os olhos e esperei… Vontade de me mexer, de cantar, de me alongar, de rezar, todos os pensamentos do mundo reunidos numa só mente. Fiz pranayamas, visualizações, usei todos os recursos que conhecia para acalmar os vrttis de minha chitta (flutuações do ego-mente).

Decidi só levantar quando acalmasse meu vrttis. Surgiu mais um: a dor nas costas. Cedi, levantei frustrada, mas com a sensação de ter tentado. Descobri que meditar exige tanta disciplina quanto praticar ásanas, ou quanto qualquer coisa que se quer fazer bem. Requer dedicação. No dia seguinte, tentei de novo, no outro também, e a cada dia sentia que o esforço trazia resultados.

Um dia, quando menos esperava, senti que tudo se encaixava, que eu me sentia plena, que naquele momento, não havia nada mais que eu desejasse, que eu poderia até morrer fisicamente porque tudo estava em paz.

Não sei quanto tempo durou, sei que voltei atraída por um som qualquer. Nem que tenha sido apenas um segundo, foi um dos mais intensos de toda minha vida. O vazio fez um eco no meu coração. Talvez isto seja chittavrtti nirodhah, a desidentificação com os conteúdos do ego e da mente.

Totalmente recuperada dos olhos, voltei a minha prática diária de Ashtanga Vinyasa Yoga. No entanto, de uma forma diferente. Mais generosa e tolerante com meus limites e, principalmente, com os limites dos outros. Precisei ficar doente dos olhos para conseguir enxergar com a alma…

Namastê!


Tereza é yogini, mora e pratica em São Paulo. Dirigiu e produziu, em parceria com Daisy Rocha, o documentário Caminhos do Yoga, filmado na Índia em 2003.