Dravya Guna – Farmacoterapia Ayurvédica

O acharya P V Sharma define Dravyaguna como o ramo do Ayurveda que relaciona-se com as propriedades, ações e efeitos terapêuticos das drogas utilizadas na Medicina Ayurvedica. As drogas utilizadas são de 3 origens: animal, mineral e vegetal. Na nossa realidade utilizamos, principalmente, os medicamentos de origem vegetal, a denominada fitoterapia ou uso terapêutico das plantas medicinais.

O Ayurveda afirma que existem 7 constituintes de Dravya Guna, a saber: Dravya ou substancias que possuem Guna, ou propriedades, e Karma, ação. Segundo Caraka as substâncias ( Dravyas) são formadas pelos Pancha Maha Bhutas, os 5 grandes elementos da natureza: éter, ar, fogo, água e terra. As propriedades destas substâncias ou drogas são influenciadas pelas concentrações destes elementos na sua composição. Podemos citar o exemplo do gengibre, excelente digestivo, que possui o elemento fogo, fonte do picante nesta planta medicinal.

Rasa, aquele constituinte de Dravya Guna percebido pela língua, ou sabor da substância. O Ayurveda afirma que existem 6 sabores : doce (madhura), formado pelo elemento água e terra, ácido (amla), constituído de fogo e terra, sal (lavana), possui água e fogo, picante (katu), formado por ar e fogo, amargo (tikta), apresenta ar e éter, e por último adstringente (kashaya), constituído de ar e terra. Estes 6 sabores são utilizados na escolha da dieta e dos medicamentos no Ayurveda.

Guna, são as propriedades físicas de um medicamento que são responsáveis pela sua ação terapêutica. Os Gunas são divididos em 20 qualidades principais que são fundamentais para a escolha da droga adequada ao tratamento. Dentre estas qualidades podemos citar o leve (laghu) e pesado (guru). Os medicamentos leves diminuem o peso corporal, reduzem Kapha e aumentam Vata Dosha. Já as drogas com propriedades pesadas aumentam o peso do corpo, reduzem Vata e elevam Kapha Dosha.

Virya, a potência pela qual a droga produz o efeito terapêutico e controla a ação dos medicamentos. O frio (seeta) reduz a temperatura corporal, acalma Pitta Dosha e agrava Vata e Kapha. Já o calor (ushna) aumenta a temperatura corporal, agrava Pitta Dosha porem diminui Vata e Kapha.

Vipaka, a propriedade das drogas que são responsáveis pelas mudanças no sabor original. Também é chamado de sabor pós-digestivo devido a exposição das enzimas digestivas. As substancias doces e salgadas possuem Vipaka doce, as drogas com sabor ácido apresentam Vipaka ácido, já os medicamentos com sabor picante, amargo e adstringente tornam-se picante após a digestão.

Prabhava, um resultado especial que não pode ser explicado pelas propriedades ou qualidades das drogas. Podemos citar como exemplos: o mel e o limão. O mel que é uma substancia doce não aumenta Kapha, que é um Dosha, normalmente, agravado por alimentos adocicados. Já o limão que é uma fruta ácida não agrava Pitta, um Dosha, normalmente, elevado por substâncias ácidas.

Por último os autores referem o Karma, ou ação terapêutica, como também constituinte de Dravya Guna. Esta ação farmacológica das drogas depende de Rasa, Guna, Virya, Vipaka e Prabhava. Através deste pequeno artigo podemos observar a complexidade da farmacoterapia Ayurvedica e a necessidade de estudos com professores com experiência na utilização de Dravya Guna.

Dr. Aderson Moreira da Rocha

Clínico geral, reumatologista e acupunturista

Mestre e doutorando em Saúde Coletiva pela UERJ

Presidente da Associação Brasileiera de Ayurveda, visite: http://www.ayurveda.com.br

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IMPERMANÊNCIA – LEI DIVINA UNIVERSAL

A cada dia Deus recria o universo e reinventa suas criaturas.

Nada é permanente, a não ser a própria impermanência das coisas.

A impermanência é lei divina e é em conseqüência dela que tudo evolui, recriando-se a cada segundo. É, pois, na impermanência das coisas que está o próprio progresso inexorável a que todos estamos sujeitos.
Vemos a impermanência de tudo na própria natureza, quando o colorido da primavera se transforma na luz abrasadora do verão, que fenece na frutificação do outono, que descansa nas sombras frias do inverno e novamente desperta em luz viva na primavera.

E ainda que este movimento pareça circular e repetitivo, a cada volta completa manifesta-se num nível acima do anterior, evoluindo numa espiral ascensional de vida e amor.

E a cada nível superado, toda a natureza se renova, criando novas espécies, eliminando outras, adaptando-se constantemente à vontade de Deus.

Nenhuma consciência é descartável, mas todas são substituíveis no movimento contínuo de renovação da Criação, pois vão se seguindo, umas às outras, nos vários níveis, de modo que nenhum deles fique vazio e improdutivo. No momento em que uma consciência está pronta para ascender ao nível seguinte, uma outra consciência toma seu lugar, mantendo em movimento a engrenagem divina.

Nesse turbilhão ascensional, ninguém consegue ficar parado, ainda que se acorrente voluntariamente à aparência efêmera das coisas.

Ninguém é capaz de deter a própria evolução, ainda que ignore deliberadamente todos os movimentos contínuos da natureza em seu próprio ser.

Nesse universo em transformação, ninguém possui nada de si, a não ser o próprio processo interno de crescimento e evolução. E nesse despojamento espiritual com que Deus criou a todos, está a razão primordial de toda existência, pois é Nele que tudo começa e termina, no encontro sagrado do Alfa e do Ômega.

A cada torção da espiral, a consciência se recria, despojando-se, mais uma vez, do que pensa que é para retornar ao que realmente é no contexto divino universal.

E, no processo de recriar-se a cada ciclo de sua existência espiritual, a consciência se reinventa, agregando novas experiências e conhecimentos à sua estrutura essencial eterna.

Recriar-se e reinventar-se são processos internos contínuos, a que toda consciência está submetida em obediência à lei universal de impermanência.

Recriando-se e reinventando-se, a cada segundo, toda consciência renova consigo o próprio universo, que também se transforma no mesmo processo.

Nascer e renascer são partes do recriar-se e renovar-se, e estão muito além do simples nascer e morrer de um corpo físico.

Toda consciência nasce e renasce, de si mesma, a cada pensamento, a cada movimento, a cada nova invenção que faz consigo mesma, criando um novo ser.

Toda consciência nasce e renasce milhares de vezes a cada parto e a cada morte física, pelas emoções e sensações experimentadas a cada vez que estes fenômenos se repetem.

Nascendo e morrendo; renascendo e novamente morrendo; e recriando-se o tempo todo, continuamente, como ser divino, pleno e completo, autodescobrindo-se em camadas de existência que se desprendem aos poucos, pela ação irresistível da força centrífuga da própria espiral que a carrega.

E despindo-se de si para vestir-se de Deus, a consciência se eleva, às vezes sofrendo, às vezes sorrindo, trazendo consigo uma porção do universo, que traz consigo outras consciências, que trazem consigo outras porções de universo, que trazem consciências…

– Maísa Intelisano –
São Paulo, 01 de maio de 2004.

A diversidade da cozinha indiana pelos olhos da Ayurveda

As especiarias, ervas e diversas misturas de temperos têm importância fundamental na terapia Ayurveda e na culinária indiana, sendo utilizadas em diversos tipos de preparações medicamentosas, além de ilustrar os diversos sabores dessa gastronomia tão rica e especial. Não é à toa que a culinária indiana aprecia tanto as especiarias, pois elas refletem uma cozinha de muitos aromas e sabores. Embora ganhe características próprias em cada região, em todas as cozinhas hindus, predominam os combinados de especiarias, as famosas e tradicionais Masalas.

As especiarias em geral regulam e estimulam o apetite, neutralizando as propriedades pesadas dos alimentos. Ajudam na limpeza dos canais (nadis), queimando toxinas (Ama) e consequentemente promovendo a saúde física e mental.

Na terapia Ayurveda existem preparações especiais feitas à partir de combinações de determinadas plantas, condimentos, óleos vegetais, frutas secas e outros produtos naturais . Fundamentado em estudos e experimentações destes preparados, apresentamos Masalas, Churnas e Lehyas que são associados à culinária de forma terapêutica, além de Óleos medicados e Lepas, que são pastas obtidas através da maceração de ervas e cêra de abelha para uso externo da pele, em casos diversos dependendo das ervas obtidas.

As Masalas são misturas de especiarias ou temperos na qual existem diversos tipos de combinações que além de facilitar a digestão proporcionam um sabor único aos alimentos. Essas misturas já oferecemos prontas, para facilitar o manuseio das mesmas e os preparos de diversos pratos. A maneira mais indicada de uso das Masalas é refogando o pó rapidamente em uma panela com um pouco de ghee ou óleo vegetal da sua preferência para que as especiarias liberem o seu sabor e suas propriedades. Depois é só misturar o resto dos ingredientes, vegetais, grãos, arroz ou o que for ser preparado.

Algumas combinações de masalas podem ser usadas diariamente com viés terapêutico, como a masala para os doshas Vata, masala pitta e masala kapha.

As Churnas são misturas de pós finos e secos de ervas para serem tomados em forma de chá. A dose varia de 1 a 3 g por dia, mas como suas combinações possuem finalidades específicas, é sempre importante conversar com um terapeuta ou médico ayurveda antes da ingestão. Algumas Churnas possuem as propriedades digestivas, outras respiratórias e anti-gripais.

As Lehyas são pastas obtidas através do processamento de frutas secas, como as uvas passa, ameixas e tâmaras, combinadas com ghee, especiarias, castanhas, mel e ervas. Basicamente elas têm o objetivo de nutrir os tecidos ósseo, muscular e cerebral, dependendo das combinações dos ingredientes. Sua mistura e consistência assemelha-se ao famoso chyawanprash, combinado muito utilizado nessa Terapia na Índia, para a imunidade e fortalecimento do Ojas. Elas são de sabor doce e agradável, e podem substituir facilmente os doces industrializados que frequentemente consumimos. Muito indicado no caso de crianças e idosos desnutridos, ou mesmo para quem quer optar por uma sobremesa mais saudável.

Algumas combinações para um cardápio completo e enriquecido de saúde e sabor:

Entrada para acender o fogo digestivo:

Chai massala diluído no chá de jasmim

Fritada no ghee de ervilha fresca temperada com gengibre e azeite de ervas

Prato principal para sabores além da Índia:

Legumes ao molho curry picante agridoce

Arroz de ervas com açafrão

Para sobremesa que deve ocorrer 2hs após a refeição:

Bolinhas de Lehya de uva passa acompanhada de sorvete de baunilha com calda de especiarias

Divirtam-se com a exploração dos cinco sentidos…., sentido do tato ao tocar e manusear os frutos, legumes e grãos e perceber suas diversas texturas…, sentido auditivo para ouvirmos o barulho do tempo de cozimento de cada prato…., sentido obrigatório olfativo para percebermos os diveros sabores que estamos misturando antes mesmo de prová-los…, sentido visual pois são muitas cores que nossa cozinha vegetariana nos enche os olhos…., e claro, graças à todos os deuses temos o sentido gustativo que nem preciso comentar!!! É só provando para saber…

Ananda Knoll e Glendha Kreutzer

O Gengibre: A panacéia indiana

O Zingiber officinalle, comumente conhecido como gengibre, em sânscrito é chamado de Ardrak (fresco) ou Sonth (seco). No Ayurveda é denominado de remédio universal devido as suas muitas propriedades terapêuticas.É uma planta medicinal originária da Ásia e aclimatada no Brasil, cresce até um metro porem é sua raiz debaixo da terra que apresenta valor terapêutico e culinário. Esta erva medicinal vem sendo utilizada na medicina Chinesa e no Ayurveda há milhares de anos pelos médicos orientais.

O gengibre apresenta propriedades terapêuticas sobre o sistema digestivo, pois estimula a liberação de enzimas que promovem o esvaziamento do estômago. Tem sido utilizado com êxito no tratamento de náuseas e vômitos em diversas doenças, é efetivo nos enjôos da quimioterapia, alem disto estudos demonstraram benefícios em baixar o nível do colesterol e reduzir a aderência as plaquetras.

A raiz do gengibre melhora a circulação e é indicada por médicos chineses e indianos para pés e mãos frias. A Medicina Ayurvedica afirma que o gengibre atua nas três fases da função gastro-intestinal: digestão, absorção e evacuação. Na Índia recomenda-se o chá de gengibre em decocção (fervura da raiz), com 3 gotas de limão e uma pitadinha de sal marinho, 30 minutos antes das refeições para estimular o fogo digestivo, promover uma boa digestão e aliviar flatulência.

Esta planta medicinal possui uma importante ação antiinflamatória e anti-reumática, tanto para uso interno quanto para uso externo. O suco, pasta ou óleo essencial do gengibre pode ser aplicado externamente para dores, inflamações e cefaléias. No caso de reumatismo, artrose, contraturas musculares, lombalgia e cervicalgia podemos fazer uma massagem local associada a fricção com pasta ou óleo essencial de gengibre. Isto promove um efeito de aquecimento local associado a uma analgesia (alívio da dor)
O gengibre possui uma atividade anti-viral e antiinflamatória sendo largamente utilizado em quadros respiratórios de vias aéreas superiores. Devido as suas propriedades picantes e amornantes é utilizado para gripes e resfriados no inverno, rouquidão, inflamação da garganta, tosse e secreção. Um chá de gengibre em decocção (fervura das raízes), com alho, casca de canela e depois de pronto adicionamos uma colher de sopa de mel de eucalipto é eficaz nestes quadros respiratórios. Deve ser tomado morno 3 vezes ao dia entre as refeições até sumirem os sintomas.

O Ayurveda classifica o gengibre como uma raiz de sabor picante, energia quente, pacifica Vata e Kapha mas pode agravar Pitta se utilizado em excesso. Podemos também utilizar o gengibre na culinária como um excelente condimento aumentando o sabor picante e a energia quente das receitas vegetarianas. Com este objetivo, na Índia, o gengibre é associado a outros temperos: pimenta do reino, canela, noz moscada, cravo, cardamomo e alho.

Em uma publicação recente sobre plantas medicinais, “Major Herbs of Ayurveda” são descritas as seguintes propriedades do gengibre: atividade antiemetica (alivia náuseas), atividade antiulcerosa, atividade hepatoprotetora (protege o fígado), atividade antiinflamatória, atividade antipirética (reduz a febre), atividade cardiovascular (diminui o colesterol e os triglicerideos), atividade antioxidante (elimina radicais livres), atividade imunomoduladora (promove o sistema imunológico) , atividade antiviral. Porem é contra-indicado na gravidez pelo potencial de induzir a contração uterina. Com tantas propriedades benéficas não podemos deixar de utilizar esta raiz tanto como erva medicinal quanto como condimento na alimentação.
Namaste

Dr. Aderson Moreira da Rocha
Clínico geral, reumatologista e acupunturista
Pesquisador da Medicina Oriental há mais de 20 anos
Presidente da Associação Brasileira de Ayurveda – ABRA

Yoga e Yogaterapia na prevenção e tratamento dos desequilíbrios dos doshas

“Yoga e Ayurveda caminham juntos. Yoga e Ayurveda são antigas disciplinas de vida que tem sido praticadas há muitos séculos na Índia. Eles são mencionados nos Vedas e nas Upanishads. Yoga é a ciência da união com o Divino, com a Verdade, e o Ayurveda é a ciência da vida. Yoga participa com o Conhecimento e o Ayurveda com a perfeita saúde. Portanto, um yogi que não conhece Ayurveda é um meio-yogi e um terapeuta ayurvédico que não conhece Yoga é um meio-terapeuta ayurvédico. O objetivo do Yoga é a união com o Ser Supremo, mas esta união só pode ser obtida quando você tem um corpo saudável, uma mente saudável e uma consciência saudável. Assim , Yoga e Ayurveda são os alicerces da vida. São as duas faces de uma mesma moeda. Eles são Um. Asana, pranayama, relaxamento, mantra e meditação são algumas das principais prescrições do Ayurveda.”

Dr. Vasant Lad

Segundo o Samkhya – a filosofia pré-védica que embasa o Yoga e o Ayurveda e que classifica e estuda todo o processo da criação do universo – esta criação começa a partir da interação de um princípio espiritual, transcedental – Purusha, com um princípio vital, material – Prakriti.

Fazendo uma analogia, Purusha seria como a eletricidade e Prakriti, a lâmpada. A luz – neste caso a criação – ocorre quando a energia sutil anima a matéria.

Da mesma forma como a luz gerada por uma lâmpada é fruto da interação das três cores básicas – amarelo, azul e vermelho – a Prakriti age na criação manifestando suas três gunas – as qualidades da natureza material: Sattwa, o princípio do equilíbrio, da paz, da pureza; Rajas, o princípio do movimento, da atividade, da paixão; e Tamas, o princípio da inércia, da escuridão e da ignorância.

As gunas vão interagir complexa e infinitamente dos níveis mais sutis aos mais densos da criação, do mais espiritual ao mais abissal. Segundo o Tantra – e este conhecimento é importante no trabalho com Yoga e Ayurveda – a função de Rajas é atuar de forma ativa sobre Tamas para suprimir Sattwa, ou sobre Sattwa para suprimir Tamas. E a função de Sattwa é criar condições para a transcendência e a de Tamas é manter o estado de ignorância.

A partir da manifestação das gunas, surge o nível Causal – Mahat. No homem, Buddhi é o intelecto responsável pela faculdade do discernimento, e é aonde centra-se avidya, a ignorância do nosso estado Uno, e que resulta em maya, a identificação equivocada com esta realidade dual. Localiza-se – usando as duas terminologias hindus que definem os diferentes corpos e dimensões do ser – no Karana sharira (o corpo causal, o inconsciente) ou ainda em Ananda e Vijñana maya kosha (os “envólucros” da bem-aventurança e do intelecto).

De Buddhi manifesta-se Ahamkara, o ego. Do ego manifesta-se Manas, a mente, o receptáculo de Chitta, a matéria mental, o inconsciente, a memória, de onde advém os Vrittis, os movimentos da mente – os pensamentos. Em Manas, nossos pensamentos, palavras e ações vão criar os samskaras (impressões na mente) que vão determinar os padrões – vasanas (tendências), isto é, nosso caráter. Isso tudo localiza-se no Sukshma sharira (corpo sutil) ou em Mano e Prana maya kosha (os envólucros da mente e do Prana).

Em Pranamaya kosha é que se localizam o nível mais periférico dos Chakras (as pétalas) as pranavaha nadis (condutos de energia que conduzem o Prana).

De Manas, manifestam-se os cinco Tanmatras (cinco sentidos: visão, audição, paladar, olfato, tato), os cinco Jñana indriyas (órgãos de conhecimento: olhos, ouvidos, pele, nariz, língua) , os cinco Karma indriyas (órgãos de ação: pés, mãos, bôca, ânus, genitais) e os cinco Mahabhutas (elementos: terra-prihtivi, fogo-agni ou tejas, água-jala ou apas, ar-vayu, éter-akasha). Isso tudo localiza-se em Shtula sharira (corpo denso) ou Annamaya kosha (o envólucro do alimento, área de atuação do Jataragni).

As funções de Buddhi, Ahamkara e Manas são chamadas Antakarana, ou órgão interno.

Finalmente, da interação dos cinco Mahabhutas surge o Tridosha (os três doshas):

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Vata, da interação do éter com o ar: dosha frio e seco, e que fundamentalmente controla o movimento.
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Pitta, do fogo com a água: dosha quente, que controla o metabolismo.
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Kapha, terra e água: dosha frio e úmido, que controla a estrutura.

E a infinita e complexa interação destes três princípios reflete o aspecto mais material da criação dos níveis macro ao microcósmico em todos os seres vivos. Os doshas também são a ponte entre nossa mente e nossa fisiologia.

Cada um dos doshas está relacionado a uma essência sutil: Vata está relacionado com o Prana – a energia vital, que se subdivide em cinco pranas (ou vayus = ventos); Pitta com Tejas ou Agni, o fogo essencial (cujo aspecto mais importante para o Ayurveda é Jataragni, o fogo digestivo) e Kapha com Ojas, a energia mental. Poderíamos dizer, utilizando as palavras de Robert Svoboda, que Prana, Tejas e Ojas “são as expressões quintessenciais dos cinco Mahabhutas em sua aplicação à vida encarnada” e que os doshas “são as formas mais grosseiras de Prana, Tejas e Ojas”, e “são as formas condensadas dos cinco Mahabhutas”.

As três gunas atuam interagindo-se ampla e profundamente nos e com os três doshas, mas de uma forma geral, Vata e Pitta relacionam-se mais a Rajas e Kapha a Tamas (Sattwa é a guna do equilíbrio).

Há mais de 5000 anos na Índia, desenvolveu-se a Medicina Ayurvédica, profundamente embasada na filosofia Samkhya e no Tantra (também de origem dravidiana pré-védica). Nesta ciência, a espinha dorsal é o conhecimento dos doshas e sua atuação no ser humano, tanto física, quanto psicológica , emocional e energeticamente.

A partir dos conhecimento dos doshas e da origem e consequências de seus desequilíbrios , estabeleceu-se tipologias específicas, e a partir daí toda uma metodologia de diagnósticos, dietética, massagens, fitoterapia, farmacologia, cirurgia, etc.

Todas as pessoas apresentam uma interação complexa destes três princípios. O mais comum é predominar um dos doshas, havendo o hábito de ser dizer, por exemplo, que tal pessoa é ” Vata-Pitta” ou ” Pitta-Kapha”, considerando-se o dosha predominante e o que vem em segundo lugar de importância.

São duas, as classificações consideradas para efeito do levantamento da tipologia pessoal: a prakritti, isto é, a sua configuração dos três doshas por ocasião de seu nascimento, e a vikritti, a configuração que se apresenta agora, neste momento. A sua referência de equilíbrio é a sua própria prakritti. As terapias ayurvédicas estarão sempre ajudando a manter e/ou trazer sua vikritti no nível da sua prakritti.

O dosha Vata é sempre o que mais se desequilibra, geralmente também desequilibrando os outros doshas.

Este perfil pessoal vai apontar entre outras coisas – e o que é, aliás, o assunto central deste texto – os pontos fracos, as vulnerabilidades e fragilidades inerentes aos doshas predominantes, e quando em desequilíbrio.

Predominância Vata ou aumento de Vata, por exemplo, criam vulnerabilidades na área das articulações (artroses, artrites, etc.), dos intestinos (prisão de ventre), tendência para o consumismo, apetite instável, stress, doenças nervosas, dores em geral, medos, insônia e memória ruim. Como é um dosha frio e seco, poderá haver tendência a se resfriar, e a ter pele e cabelos secos. Tem normalmente estrutura corporal magra e ossuda.

Vata está relacionado aos cinco pranas, pois cada prana é um sob-dosha de Vata (cada dosha tem cinco sub-doshas), ainda assim, tem uma relação mais intensa com os pranas: Prana (aspecto funcional do prana que gerencia os processsos de absorção. Está relacionado ao chakra Anahata – elemento ar – e a glândula timo, gerenciando a respiração, atividade cardíaca, cintura escapular , membros superiores, afetos e sentimentos) e Udana (É o prana do chakra Vishuddha – elemento éter – e da glândula tireóide. Gerencia voz, garganta, cervical, visão, olfato, audição, todo o cérebro, criatividade, comunicação).

A predominância Pitta ou seu aumento excessivo, poderá acarretar em fragilidade na área estomacal – gastrites, por exemplo – se abusar, pois Pitta come muito bem e em geral digere bem. Tem tendência à irritabilidade, raiva, ódio e ciúme. É o “pavio curto”, o que aliás também é péssimo para o estômago, aumentando a secreção de ácido clorídrico, tornando-o uma vitima potencial de úlcera. Eventualmente pode ter desarranjos intestinais e problemas de pele. Como é um dosha quente, Pitta tem pouca tolerância ao calor.

Pitta está relacionado ao prana Samana (prana da assimilação. Relaciona-se ao chakra Manipura – elemento fogo e a glândula pâncreas, gerenciando o calor corporal, a digestão, estômago, intestino delgado, fígado, vesícula, emoção, auto-estima, poder pessoal).

Por fim, a predominância Kapha apresenta normalmente forte estrutura corporal, com tendência a obesidade. De apetite voraz, tem tendência a ter glicose e colesterol altos. Dorme muito. Pode vivenciar preguiça, pessimismo, inveja, estados depressivos e também avareza e mesquinhez.

Kapha tem tendência a criar muito muco, devendo ter cuidado para evitar pneumonias, rinites, sinusites, bronquites. E uma das principais características de Kapha é a umidade e a oleosidade.

Kapha está relacionado aos pranas Vyana (prana da circulação. Está relacionado ao chakra Swadhisthana – elemento água – e às glândulas reprodutoras, gerenciando a circulação dos líquidos pelo corpo, a cintura pélvica, região lombar, sensualidade, sexualidade e reprodução) e Apana (prana da eliminação. Relacionado ao chakra Muladhara – elemento terra – e as glândulas supra-renais. Gerencia a base, as pernas e os pés, intestino grosso, ânus, excreções de uma forma geral, instinto de defesa, apego, medo).

Então, para ajudar na promoção da saúde e no tratamento das doenças, o Ayurveda utiliza o Yoga como uma das suas mais importantes ferramentas terapêuticas. Aliás, todo o conhecimento – teórico e prático – espiritual, filosófico e terapêutico hindu repousa solidamente sobre os pilares do Ayurveda, do Yoga, do Tantra e da Vedanta.

Seguindo a premissa ayurvédica de que todo o trabalho deve ser absolutamente personalizado, a Yogaterapia ayurvédica (chamada pelo Dr. Vasant Lad de AyurYoga) vai buscar atuar de acordo com as particularidades tipológicas de cada um, utilizando o instrumental do Hatha e do Tantra Yoga – asanas (posturas), pranayamas (respirações), kriyas (limpezas), bandhas (contrações), mudra (gestos energéticos), mantras (vocalizações energéticas), nidra (relaxamento) e meditação – que podem ser associados a práticas ayurvédicas complementares, tais como massagem, dietética e fitoterapia.

A prática yóguica mais diretamente relacionada com os doshas é a Pavana Muktasana.

Trata-se de uma técnica formada de quatro séries de exercícios físicos e respiratórios:

– A primeira série chamada “anti-reumática” (Sukshma Vyayama – exercícios sutis), trabalha mobilizações que movimentam todas as articulações do corpo, desimpedindo o fluxo energético por atuar sobre os chakras auxiliares localizados em cada articulação do corpo. As articulações acumulam toxinas oriundas principalmente da má alimentação e da vida sedentária. Esta série está relacionada a Vata dosha.

– A segunda série chamada “anti-gastrítica” (ou Apanasana: as asanas do apana, a energia que gerencia a excreção), trabalha envolvendo principalmente a musculatura abdominal. Energiza e equilibra o Jataragni. Esta série está relacionada a Pitta dosha, embora Vata também seja beneficiado em razão de sua tendência à prisão de ventre.

– A terceira série, energizante (Shakti bandhas: contrações energéticas), está relacionada a Kapha dosha.

– E a quarta série chamada Trataka, são exercícios específicos para os olhos , e que vão beneficiar especialmente Pitta, que é o dosha dos olhos, da visão.

As técnicas de Pavana muktasana (literalmente “liberação dos ventos” – articulares, estomacais e intestinais) foram resgatadas e recodificadas por Swami Satyananda Saraswati, e podem ser encontradas em seu livro: “Yogasana, Pranayama, Mudra, Kriya, Nidra” e no livro “Psicologia do Tantra” do prof. Paulo Murilo Rosas. Pavana Muktasana é excelente para manter e/ou restaurar o equilibrio dos três doshas.

A série de Surya Namaskara (saudação ao Sol) também pode e deve ser feita regularmente para equilibrar os doshas. Deve-se apenas observar que esta série, segundo o Tantra, atua energizando especialmente a nadi Pingala (polaridade solar, masculina, quente, positiva). Como Vata e Kapha estão mais relacionados a nadi Ida (polaridade lunar, fria, feminina, negativa) e Pitta a nadi Pingala, as pessoas de Vata e Kapha devem fazer a série de forma bem dinâmica com as respectivas respirações e as pessoas Pitta devem fazer a série mais lentamente, com a respiração livre, suave e profunda.

Vata está relacionado com o chakras Anahata (elemento ar) e Vishudha (éter) e necessita de “trabalho de base” para drenar o excesso de energia dos chakras superiores para os básicos.

Vata será beneficiado com a prática de Yoga Sukshma Vyayama (ver “Psicologia do Tantra”, prof. Paulo Murilo Rosas), que aquece e promove “grounding”, trabalhando a energia dos chakras superiores para os básicos (Shristhi krama, ou o Caminho da criação).

Posturas de grounding também são os Trikonasanas e Parshwa Konasana – que também aumentam a capacidade respiratória promovendo a abertura do gradil costal – e os Guerreiros 1 e 2.

O trabalho de Pavana Muktasana é excepcionalmente benéfico para Vata, especialmente as duas primeiras séries, mas as pessoas que possuem este dosha muito elevado não devem exagerar, pois esta técnica trabalha movimentando a energia dos chakras básicos para os superiores (chamado no Tantra de Laya krama, ou o Caminho da dissolução). Uma solução seria alternar Pavana Muktasana com Yoga Sukshma Vyayama.

Posturas de meditação – dhyanasanas (Padmasana, Vajrasana, Sukhasana, Siddhasana) vão dar segurança e estabilidade para Vata. É o dosha mais beneficiado pelas práticas de concentração e meditação.

Surya Namaskara também é excelente para equilibrar Vata, promover grounding, aquecer e manter as articulações e os intestinos em boas condições. Trabalhos articulares para a coluna, como o Gato – que pode ser desdobrado de várias formas – vão manter a saúde das articulações vertebrais, raízes nervosas, ligamentos e músculos das costas. Também são interessantes as posturas de extensão (Bhujangasana, Dhanurasana, Chakrasana, Ustrasana) – para abrir os peitorais e o gradil costal; de flexão da coluna (Paschimottanasana, Padahastasana, Janushirshasana) para tonificar os intestinos e sedar o sistema nervoso; e de equilibrio (Vrikshasana, Natarajasana).

E é bastante útil a prática de Mula bandha (contração do períneo) durante as asanas, para tonificar o aparelho excretor e para energizar os dois primeiros chakras básicos.

Pranayamas com ritmo e sem retenções prolongadas – como Anuloma Viloma, respiração completa com krama, respiração quadrada (Samavritti) – são boas para equilibrar Vata.

Pitta dosha será reequilibrado com pranayamas sedantes: Chandra, Chandra bheda, Nadi shodhana, Shitali, Sitkari, e lentas respirações abdominais com ênfase na expiração.

Asanas de compressão do ventre são importantes para sedar Pitta e acalmar o Jataragni, como Paschimottanasana e Matsyendrasana. Inversamente, posturas de extensão (Chakrasana, Ustrasana, Dhanurasana) vão tender a aumentar Pitta e o Jataragni.

O trabalho de Pavana Muktasana – especialmente a segunda série – vai ajudar a equilibrar Pitta. Pitta também é sedado com posturas de inversão (Viparita karani e Sarvangasana). Posturas de equilíbrio também são importantes para Pitta. É o dosha mais beneficiado pela prática de relaxamento e de Yoga Nidra (meditação composta de relaxamento com visualizações).

O dosha Pitta é o que está mais diretamente relacionado com Jataragni, o fogo digestivo, por isso são muito úteis os trabalhos com as Kriyas (purificações) Agni sara (limpeza pelo fogo) e Kapalabhati (o sopro do crâneo) e com Uddhyana bandha (se não houver gastrite), feitas sem exagero. Vão equilibrar e manter a boa qualidade do Jataragni. Bhastrika pranayama (o fole) vai aumentar bastante Pitta e o Jataragni. Yoga Sukshma Vyayama também vai tender a aumentar Pitta.

De uma forma geral, os pranayamas – especialmente os com retenções mais longas – vão beneficiar especialmente o dosha Kapha, mantendo o aparelho respiratório em boas condições. Respiração completa com ritmo (1:4:2:4) e com ênfase nas fases média (intercostal) e alta (subclavicular).

Kriyas de limpeza como Kapalabhati e Agni Sara, e pranayamas tonificantes como bhastrika (se não for hipertenso), Surya e Surya bheda, Ujjayi, feitos moderadamente, são interessantes para Kapha.

Este dosha também será muito beneficiado com a prática de asanas de uma forma mais movimentada, como Surya Namaskara ou asanas com vinyasa (asanas dinâmicas preparatórias).

Kapha, o dosha da base, da estrutura, está relacionado aos chakras básicos : Muladhara (elemento terra) e Swadhisthana (água).

A Pavana Muktasana vai atuar positivamente em Kapha, drenando o excesso de energia da base para os chakras superiores.

Já Yoga Sukshma Vyayama, que embora seja uma técnica quente e movimentada – bom, portanto, para Kapha – funciona drenando a energia para os chakras básicos, e não deve ser feita com exagero, preferencialmente alternando-se com Pavana.

Segundo o critério de Langhana e Brimhana – os parâmetros ayurvédicos de classificação e avaliação dos processos da sedação e da tonificação (e que será assunto de um outro texto), dentre as asanas e os pranayamas que tem efeitos sedantes e tonificantes, aqueles que tem especificamente efeito equilibrador e harmonizador para todas as tipologias são: nadi shodhana (a respiração polarizada) e shirshasana (postura sobre a cabeça), esta última levando-se em conta suas contra-indicações (hipertensão, glaucoma,etc.).

Asanas para os desiquilíbrios dos doshas
Segundo o Dr. Vasant Lad

1. Asanas para desequilíbrios de Vata:

– ASMA: Supta Vajrasana, Halasana, Pavana Muktasana (a asana) , Shavasana.
– DOR NAS COSTAS: Pavana Muktasana, Halasana, Ardha Chakrasana, Supta Vajrasana.
– PRISÃO DE VENTRE: Supta Vajrasana, Yoga Mudra, Pavana Muktasana, Sarvangasana, Shavasana. Fazer todas as asanas com a barriga contraída.
– DEPRESSÃO: Yoga Mudra, Halasana, Padmasana, Nitambasana, Shavasana.
– DOR CIÁTICA: Pavana Muktasana, Supta Vajrasana, Halasana, Yoga Mudra, Ardha Chakrasana.
– DEBILIDADE SEXUAL: Supta Vajrasana, Halasana, Sarvangasana, Kukutasana.
– VARIZES: Sirshasana, Supta Vajrasana, Shavasana.
– RUGAS: Yoga Mudra, Supta Vajrasana, Sirshasana, Halasana.
– ARTRITE REUMATÓIDE: Ardha Chakrasana, Dhanurasana, Halasana, Sirshasana, Supta Vajrasana.
– DOR DE CABEÇA: Halasana, Yoga Mudra, Sirshasana.
– INSÔNIA: Shavasana, Bhujangasana, Supta Vajrasana.
– DISTÚRBIOS MENSTRUAIS: Halasana, Bhujangasana, Ardha Chakrasana, Yoga Mudra.

2. Asanas para desequilíbrios de Pitta:

– ÚLCERA PÉPTICA: Shitali Pranayama.
– HIPERTIREOIDISMO: Sarvangasana, Karna Pidasana.
– MÁ DISGESTÃO: Pavana Muktasana, Matsyasana, Shalabhasana.
– HIPERTENSÃO: Sarvangasana, Bhujangasana, Naukasana.
– RAIVA OU ÓDIO: Naukasana, Sarvangasana, Shavasana.
– ENXAQUECA: Shitali Pranayama, Sarvangasana, Matsyasana.
– COLITE: Matsyasana, Karna Pidasana, Navasana, Dhanurasana.
– DISTÚRBIO HEPÁTICO: Matsyasana, Sarvangasana, Karna Pidasana.
– HEMORRÓIDAS: Matsyasana, Sarvangasana, Dhanurasana.
– ESTOMATITE (Inflamação da língua): Shitali Pranayama.

3. Asanas para desequilíbrios de Kapha:

– BRONQUITE: Sirshasana, Halasana, Garbhasana, Supta Vajrasana, Ardha Chakrasana, Matsyasana.
– EFIZEMA: Ardha Chakrasana, Sarvangasana.
– RINITE: Matsyasana, Navasana, Halasana, Dhanurasana, Bhastrika.
– SINUSITE: Simhasana, Paschimottanasana, Matsyasana.
– DIABETES: Navasana, Matsyasana, Ardha Chakrasana, Supta Vajrasana, Garbhasana.
– DESORDENS GASTROINTESTINAIS CRÔNICAS: Matsyasana, Shalabhasana, Bhujangasana.
– GARGANTA INFLAMADA: Simhasana, Sarvangasana, Shalabhasana, Matsyasana.
– BRONQUITE ASMÁTICA: Ardha Chakrasana, Dhanurasana, Sarvangasana, Navasana, Nitambasana, Matsyasana, Bhujangasana.

Bibliografia:

– Ayurveda, ciência da auto-cura, Dr. Vasant Lad. Ed. Ground
– Tao e Dharma, Robert Svoboda. Ed. Pensamento.
– Salud y vitalidad, Ayur Veda, medicina milenaria para el hombre de hoy, Daniel Ghiotti e Rubén Devoto. Instituto Ayurvedico del Perú.
– Psicologia do Tantra, Paulo Murilo Rosas.
– Os segredos do Tantra e do Yoga, Paulo Murilo Rosas.
– Yogasanas, Pranayamas, Mudras, Bandhas, Swami Satyananda Saraswati
– Integrative Yogatherapy Manual, Joseph LePage.

Ernani Fornari (Dharmendra)

http://www.geocities.com/yogaterapia

Razões para desintoxicar-se e a vitalidade dos alimentos

Por Conceição Trucom

Aprendendo a nos desintoxicar descobriremos os segredos da saúde plena, a prevenir doenças e a evitar os estimulantes artificiais, que mascaram tudo com a falsa idéia de gerar prazer.

Quanto melhor nos sentimos, mais procuramos meios naturais para nos equilibrarmos (sol, água, alimentos vivos, atividade física, lazer, respiração, etc.). Recorrer às drogas que causam dependência e arruinam a saúde não pode ser considerada uma atitude espiritual ou sábia.

Quanto mais intoxicados estamos, mais precisamos de estimulantes – cada vez mais fortes – para “manter” o equilíbrio. Qualquer desequilíbrio em nosso corpo físico muda nossa disposição e provoca distúrbios emocionais. Qualquer emoção provoca uma descarga de adrenalina no sangue como reação ao estresse. Isso cria um bloqueio das funções de eliminação do corpo, elevando o nível de intoxicação e agravando os distúrbios emocionais.

Esse círculo vicioso é interrompido assim que usamos um processo de desintoxicação, precioso meio preventivo e curativo de numerosos desequilíbrios psíquicos.

Muitos distúrbios, que à primeira vista parecem ter apenas causas psicológicas, são transformados pelos processos físicos de limpeza do organismo. A cura de diversas doenças psiquiátricas graves, freqüentemente consideradas incuráveis, mostra isso.

Qualquer intoxicação do corpo e, qualquer distúrbio emocional provoca uma diminuição das funções cerebrais. Todo mundo sabe como é difícil raciocinar com clareza após uma refeição pesada.

Descobrir o efeito positivo da desintoxicação sobre as faculdades mentais é apaixonante. A concentração, a memória, a capacidade criativa e intuitiva ficam extraordinariamente aguçadas.

Eu sempre afirmo: intestino preso e corpo intoxicado “emburrecem”. Em contrapartida, um corpo desintoxicado fica mais criativo e inteligente. E para fechar, um corpo limpo gera uma harmonia que sinaliza no mínimo saúde.

Todas as grandes religiões da história instituíram períodos de descanso do organismo (Shabat, Ramadã, Quaresma, jejum ritual), para assegurar a boa condição física durante o ano e criar momentos privilegiados para a vida espiritual.

As técnicas de desintoxicação são instrumentos valiosos para nos libertarmos do condicionamento educacional, dos hábitos sociais nocivos para a saúde, das emoções desequilibradas, dos preconceitos e da intolerância.

A experiência individual é insubstituível quando se trata de aprender, sem fanatismo, a manter a forma física, a equilibrar a vida emocional, a ampliar nossa consciência espiritual. Os hábitos agradáveis, a refeição saborosa e os pequenos prazeres não devem ser obrigatoriamente abolidos para sempre. Não há como obter saúde com atitudes de disciplina espartana, mas sim por uma sucessão de adaptações sábias.

A DESINTOXICAÇÃO ALIMENTAR

Sempre é salutar aliviar o organismo da sobrecarga alimentar. A energia normalmente consumida para realizar a digestão de alimentos pesados servirá então para realizar uma limpeza e uma regeneração do corpo físico. Os produtos da natureza (frutas, hortaliças, ervas e sementes) são os alimentos que exigem o menor trabalho digestivo.

Além disso, são dotados de extraordinárias propriedades despoluidoras, ou seja, depurativas. Sua riqueza em fibras assegura uma verdadeira “faxina” no tubo digestivo, levando embora, junto com as fezes, uma grande quantidade de toxinas e resíduos.

Graças a seu elevado teor de vitaminas, sais minerais, oligoelementos, enzimas e substâncias biologicamente ativas de todo tipo, os vegetais fornecem aos órgãos de eliminação os elementos de que necessitam para funcionar plena e perfeitamente. Além disso, quando consumidos crus, fornecem ao corpo uma água cheia de vitalidade.

A maioria das hortaliças demanda calorias ao se deslocarem de uma extremidade à outra do tubo digestivo. Na realidade, para digeri-las, o organismo queima mais calorias do que recebe. Isso gera um balanço calórico negativo, provocando uma perda de peso por combustão das gorduras em excesso.

No livro Você sabe se desintoxicar (Dr. Soleil – Ed. Paulus) os alimentos estão classificados em quatro categorias, de acordo com o seu grau de VITALIDADE.

Acho este conceito de extrema sabedoria, e toda vez que acesso um esclarecimento de forma tão clara e objetiva, não resisto, compartilho imediatamente:

1) Alimentos que GERAM VIDA – chamados BIOGÊNICOS

São a base ideal da alimentação, usando um ponto de vista qualitativo. São os germes e os brotos dos grãos, dos cereais, das leguminosas, das ervas e das hortaliças.
Germes e brotos são as plantas no início de seu crescimento, portanto extremamente ricas em substâncias chamadas de micronutrientes. São as vitaminas, sais minerais, oligoelementos, aminoácidos, enzimas, hormônios vegetais, estimulantes biológicos, etc.).
Ao ingerirmos esse tipo de alimento cru e fresco eles irão reforçar a vitalidade das células e permitir que elas se regenerem constantemente.

2) Alimentos que ATIVAM A VIDA – chamados BIOATIVOS

São a base ideal da nossa alimentação do ponto de vista quantitativo. São as frutas, ervas, hortaliças, leguminosas, nozes (sementes oleaginosas), os bagos, grãos e cereais que já estão maduros e são consumidos em perfeito estado, crus ou deixados de molho.

Os alimentos que geram a vida, e os alimentos que ativam a vida são considerados ALIMENTOS VIVOS. Foram previstos pela natureza para assegurar a vida e o bem estar do ser humano. Seu consumo traz vitalidade e saúde em qualquer idade.

3) Alimentos que DIMINUEM A VIDA – chamados BIOESTÁTICOS

São os alimentos cuja força vital foi reduzida pelo tempo (alimentos crus armazenados por muito tempo), pelo frio (refrigeração e congelamento) ou pelo calor (cozimento). Estão inclusos aqui as carnes, o leite e derivados e os ovos.
O consumo de alimentos bioestáticos é o resultado de hábitos sociais. Seu consumo assegura o funcionamento mínimo de nosso organismo, mas provoca o envelhecimento das células, pois não lhes fornece as substâncias vivas necessárias para sua saudável regeneração.

4) Alimentos que DESTROEM A VIDA – chamados BIOCÍDICOS

São os alimentos que predominam na alimentação moderna. São todos os alimentos cuja força vital foi destruída pelos processos físicos ou químicos de refino, conservação ou preparo.
Os alimentos biocídicos foram inventados pelo homem para sua própria perda. Ganham em praticidade, perdem em qualidade. Ganham em prazer, perdem em saúde.
Falamos do açúcar, principalmente o refinado, sal, chá preto, café, chocolate, bebidas alcoólicas, frituras, alimentos industrializados e aditivados, margarina e óleos refinados.
Envenenam pouco a pouco as células com as substâncias nocivas que contêm. É preciso saber que, mesmo em pequenas doses, qualquer produto químico adicionado aos alimentos é tóxico.
Os processos agrícolas modernos e a industrialização introduzem no organismo substâncias que paralisam o instinto alimentar, perturbam a assimilação e bloqueiam a eliminação. Enfraquecem pouco a pouco o sistema imunológico, causam vários problemas de saúde e abrem portas às chamadas doenças da civilização: doenças cardiovasculares, câncer, reumatismo, diabetes e outras doenças degenerativas e doenças mentais.

RESUMINDO:
ALIMENTOS DE ALTA VITALIDADE
São os alimentos usados na prática da Alimentação Desintoxicante. São fáceis de digerir e apoiam os mecanismos de desintoxicação do corpo: BIOGÊNICOS (geram vida) + BIOATIVOS (ativam a vida).

ALIMENTOS DE BAIXA VITALIDADE
Exigem do organismo grande esforço para serem digeridos, intoxicam e entopem o organismo: Bioestáticos (diminuem a vida) + Biocídicos (destroem a vida).

Conceição Trucom – autora do livro Alimentação Desintoxicante Editora Alaúde.
Reprodução permitida desde que citada a fonte.

Passeio Socrático

Ao viajar pelo Oriente mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos e em paz nos seus mantos cor de açafrão.

Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: ‘Qual dos dois modelos produz felicidade?

Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: ‘Não foi à aula?’ Ela respondeu: ‘Não, tenho aula à tarde’. Comemorei: ‘Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde’. ‘Não’, retrucou ela, ‘tenho tanta coisa de manhã…’. ‘Que tanta coisa?’, perguntei. ‘Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina’, e começou a elencar seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando: ‘Que pena, a Daniela não disse: ‘Tenho aula de meditação!’

Estamos construindo super-homens e super-mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados.

Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: ‘Como estava o defunto?’. ‘Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!’ Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?

Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizinho de prédio ou de quadra!

Tudo é virtual. Somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. E somos também eticamente virtuais…

A palavra hoje é ‘entretenimento’. Domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: ‘Se tomar este refrigerante, calçar este tênis, usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!’O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.

O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista.

Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental, três requisitos são indispensáveis: amizades, auto-estima, ausência de estresse.

Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center. É curioso: a maioria dos shoppings centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingo.

E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas… Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno… Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do Mc Donald’s…

Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas:
‘Estou apenas fazendo um passeio socrático. Diante de seus olhares espantados, explico: ‘Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia:
“Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz!”

Frei Betto

Medicina Ayurveda x Massagem Ayurvedica

Há algum tempo venho pensando em como esclarecer um assunto, que tem criado alguma confusão. Apesar da Medicina Ayurveda existir há mais de 5.000 anos, aqui no Ocidente, em especial no Brasil ela é um tema novo.

Nos últimos quatro anos temos visto a divulgação crescente sobre Ayurveda em publicações, entrevistas na mídia impressa e falada; o que é excelente para atrair cada vez mais interessados no assunto. Entretanto, é a massagem quem recebe mais interessados e adeptos e por isso tem gerado interpretações equivocadas. Muitas pessoas pensam que o ayurveda é apenas esta massagem aplicada no chão. Esta prática tem inumeros discípulos e foi denominada Ayurvedica.

Muito efetiva, tem inumeras indicações e ótimos resultados. É indiscutivel a sua eficiência relaxante. Entretanto, esta massagem tão divulgada aqui no Brasil, como na Itália e Portugal onde atuo, é um estilo criado por uma indiana chamada Kusum Modak, que vive em Pune, India. Esta massagem é um mix do Thai yoga (com alongamentos e postura de yoga passiva), acupressura e uso de óleo. Esta senhora criou seu proprio estilo e vem ensinando há varios anos a muitas pessoas, que a divulgam pelo mundo. Os alongamentos atuam como uma fisioterapia muito boa em certos casos.

Recentemente Kussum Modak esteve no Brasil (São Paulo) e quando foi questionada sobre os Doshas, óleos indicados para cada um, etc. ela demonstrou indignação total, pois ela mesma confirmou que sua massagem NADA tem a ver com Ayurveda, que ela não leva em conta a questão de Doshas ou qualquer assunto relacionado a Ayurveda. Ela ensina manobras. Mostrou decepção e até perguntou e gostaria de saber quem estava fazendo isso com o seu método. Portanto, esta massagem que tem sido tão divulgada no Brasil como Massagem Ayurvedica, deveria receber outro nome, inclusive algo autorizado por sua criadora talvez.

Acho importante esclarecer e que isso cada vez mais divulgado, que muitos mestres criam os seus estilos de massagem, como o Harish Johari por exemplo, com outras manobras. Há tambem a massagem energética ou rejuvenescedora estilo de Kerala (sul da India), chamada chavutti e aplicada com os pés, como tambem a Kalarypayattu vinda das martes marciais Indianas integrada a Sidda.

Assim muitas massagens surgiram e têm ótimas aplicações, mas é imprescindível esclarecer, que a medicina Ayurveda vai muito além disso; em sua tradição nos tratamentos panchakarmas, sequer utiliza nada parecido com essa massagem feita de manobras de thai-yoga. Nós profissionais ayurvedicos, aplicamos abhyanga e os tratamentos todos feitos na drhoni não há indicação de pós de ervas como Vekandi para todas as pessoas, como é de uso, pois pode agravar o desequilíbrio em alguns casos.

É preciso uma análise detalhada antes de qualquer procedimento, para saber qual óleo indicado, se é apropriado ou uso de pó e quais outros procedimentos, shirodhara não e para qualquer um e existem procedimentos sérios a serem seguidos; período, estações e de forma indivualizada. Daí os anos de estudos e prática acompanhada de vaydas ou profissionais dedicados ao Ayurveda.

Portanto a medicina não exclui a importância desta massagem contanto que ela seja tambem feita por um profissional competente, mas é algo diferente e requer maior análise antes de qualquer atendimento.

Fernanda Güss (Surya Kendram)

Os efeitos ayurvédicos da prática de Asana

Por David Frawley

De acordo com a filosofia do Yoga, o corpo físico é uma manifestação de consciência. É uma cristalização dos padrões kármicos (comportamentais) creados pela mente. Assim sendo, a chave para trabalhar com o corpo é compreender a consciência que lhe está por detrás, muita da qual encontra-se para além da nossa compreensão normal. Isto requer que pratiquemos asanas conscientes não só dos aspectos técnicos das posturas, mas também dos estados mentais e emocionais que criam dentro de nós.

A Ayurveda partilha esta teoria do Yoga; vê o corpo como uma manifestação dos doshas, que não são energias apenas físicas, mas também prânicas e psicológicas – factores de consciência. Não pudemos analisar o impacto dóshico dos asanas a um nível puramente físico, mas devemos também considerar os seus efeitos psicológicos.

O Yoga vê os asanas não apenas como poses estáticas, mas como condições de energia que, por sua vez, são manifestações da consciência. A energia e atenção que focamos numa posição são tão importantes como a própria posição. Podemos ver isto na vida do dia-a-dia, na maneira como a forma como nos sentimos a nível psicológico afecta como nos movimentamos a nível físico. Os padrões de sentimento e energia a longo prazo determinam a forma e o ritmo do corpo.

Asana como Estrutura Física

No seu nível mais básico, um asana é uma posição física, uma espécie de gesto corporal. Na prática de asana, colocamos o corpo numa posição que tem um resultado específico e cuja mensagem depende da forma que cria com o corpo. Cada asana tem o seu próprio efeito estrutural. Posições sentadas providenciam estabilidade da coluna. Algumas posições criam flexibilidade na parte posterior das pernas. Sendo que a maioria das posições sentadas geram estímulos parassimpáticos, criam uma influência calmante agradável. Poses de pé aumentam a força geral e os níveis de energia. Posições de inclinação para trás tendem a excitar-nos (estimulação simpática), aumentam a extensão da coluna, e geram força nos músculos elevadores do tronco. Posições de relaxamento nivelam e acalmam as energias geradas pelas nossas práticas de asana. Todos os asanas, quer em grupo, quer individuais, têm as suas próprias energéticas dependendo do que fazem ao corpo. Tal como uma casa, têm a sua própria arquitectura.

No entanto, na medida em que os nossos corpos não têm todos a mesma estrutura, a experiência de um asana irá variar dependendo da constituição, flexibilidade e condição orgânica do indivíduo. O efeito de um asana é a combinação da estrutura do asana, que é a mesma para toda a gente, e a estrutura corporal individual a cada pessoa, que irá variar não só de pessoa para pessoa, mas também na mesma pessoa ao longo do tempo.

Asana como Energia Prânica

O corpo físico é um veículo para as nossas energias internas, que são definidas através de Prana. Os Asanas são veículos através do qual o Prana é dirigido. Um asana não é apenas uma estrutura física, mas sim uma condição de energia. Os asanas expresam uma qualidade de energia, e até as posições calmantes podem conter uma condição de mente e Prana dinâmica. Este facto transmite a todos os asanas uma certa neutralidade nos seus efeitos energéticos, tal como um veículo por si só é neutro, com o objectivo do seu destino dependendo do condutor. O asana é como um carro, com Prana sendo a força de condução. Não é uma questão de ter o veículo certo, mas também de se mover na direcção certa. O impulso prânico por detrás do asana é tão importante como o próprio asana.

Isto significa que, dependendo da forma como dirigirmos o nosso Prana, o mesmo asana pode levar-nos a diferentes lugares. Por exemplo, uma posição sentada realizada com pranayama forte pode ter um efeito altamente energético, enquanto que se efectuado com uma respiração normal, irá relaxar-nos, ou até mesmo adormecer-nos. As energias prânicas de um asana dependem de vários factores, incluindo quão rapidamente assumimos a postura, a quantidade de força que utilizamos e, acima de tudo, a forma como respiramos durante o asana. De facto, o objectivo da prática de asana é acalmar o corpo para que possamos trabalhar o nosso Prana. O Prana manifesta-se quando o corpo está parado, daí a importância das posições sentadas para a cura interna.

Asana como Pensamento e Intenção

Um asana consiste não só de estrutura e energia, mas também reflecte pensamento e intenção. Poderíamos considerar o asana uma forma de exercício “pensativa” ou “mental”. Os efeitos de um asana variarão dependendo se a nossa mente está livre ou obstruída, e se as nossas emoções estão calmas ou turbulentas. Podemos realizar um asana com precisão técnica, mas o nosso estado de espírito irá determinar quão libertador o asana será para a nossa consciência.

O nosso estado de espírito reflecte-se na nossa respiração. Quando a mente está calma, a respiração está calma. Quando a mente está perturbada, a respiração está perturbada. Assim sendo, as energias mentais e prânicas funcionam em conjunto. Sendo que podemos alterar os efeitos prânicos de um asana através da respiração, podemos também alterar os efeitos mentais de um asana através da concentração e meditação. Um asana deverá ser uma espécie de meditação em forma ou movimento. Assim sendo, devemos sempre colocar as nossas mentes num espaço sagrado de silêncio, observação e isolamento antes de praticar Yoga.

Se a nossa consciência não se envolver durante o asana, então a nossa prática permanece a um nível superficial. O Prana segue a energia da atenção; a postura corporal é um resultado disso. O tipo de postura que uma pessoa tem reflecte a sua posição na vida, e o que fazem mais regularmente; essa é a razão porque muitos de nós andamos curvados – a nossa principal postura é sentados a uma secretária, no carro, ou num sofá! Isto coloca a nossa energia no nosso exterior, de modo que a nossa energia interna afunda-se ou colapsa.

Resumindo, o efeito estrutural de um asana é o primeiro factor. A forma como energisamos o asana através do Prana é o segundo; isto inclui a forma como nos movimentamos durante o asana, e como respiramos. O nosso estado de espírito é o terceiro factor. A principal regra na prática de asana é manter a mente calma, unida e atenta, para que não percamos o nosso ponto focal na prática. Devemos considerar todos os três factores relativamente a um exame ayurvédico dos asanas. Todos estes factores encontram-se interrelacionados. Frequentemente, o dosha contém a chave para o estado estrutural, prânico e emocional de uma pessoa.

Efeitos Ayurvédicos dos Asanas

Casa asana tem um efeito específico bem-definido, relativo aos três doshas. Isto assemelha-se à forma como a Ayurveda classifica os alimentos relativamente aos seus efeitos dóshicos como bons ou maus para o Vata, Pitta e Kapha, dependendo dos sabores e dos elementos que compõem cada alimento. Podemos analisar diferentes asanas dependendo da sua capacidade estrutural para aumentar ou diminuir os doshas.

No entanto, esta equação dóshica dos asanas não deve ser entendida de forma rígida, pois o efeito prânico de um asana pode ultrapassar o seu efeito estrutural, tal como já verificámos. A forma de um asana não é o seu factor principal. Através do uso da respiração, podemos modificar ou mesmo alterar os efeitos dóshicos do asana. Devemos também relembrar a importância do pensamento e intenção na prática do asana. Considerando o asana, o Prana e a mente, podemos alterar uma asana em particular ou ajudar a prática inteira em direcção a um resultado dóshico em particular. Através da combinação de asanas específicos, pranayama e meditação, um balanço interno completo pode ser criado e mantido.

A aplicação dóshica dos asanas é dupla:

– De acordo com a constituição do indivíduo, definida pelo seu tipo dóshico como Vata, Pitta e Kapha, e as suas intermisturas;

– Relativamente ao impacto do asana nos doshas como funções fisiológicas gerais. Cada dosha tem os seus locais e acções no corpo, que os asanas irão afectar consoante a sua orientação.

Aplicação Constitucional

Os indivíduos do tipo Vata possuem uma estrutura corporal diferente e movem-se de maneira diferente do que os indíviduos do tipo Pitta, ou Kapha. Do mesmo modo, os indivíduos Pitta e Kapha têm os seus próprios movimentos e posturas que assumem como parte da assinatura dóshica nos seus corpos e mentes. Esta diferença entre os doshas é reflectida na pulsação de cada tipo.

Os indivíduos Vata têm uma pulsação de tipo serpenteante. Movem-se de forma serpenteante – como uma descarga eléctrica, com movimentos rápidos, abruptos, imprevisíveis e irregulares. A sua energia interna e pensamentos têm a mesma rapidez, brilho, imprevisibilidade e discontinuidade.
Os indivíduos Pitta têm uma pulsação do tipo sapo, de natureza cerrada. Movimentam-se como um sapo – saltando em movimentos constantes até atingirem o seu objectivo próprio. O seu movimento assemelha-se a uma chama, que aumenta quando alimentada com combustível novo. Agem de maneira focada e com determinação, actuando passo a passo. A sua energia interna e pensamentos têm a mesma fluidez e movimentos determinados.
Os indivíduos Kapha têm uma pulsação do tipo cisne, que é ampla e flutuante. Movimentam-se como um cisne – lentamente, elegantemente, demorando o tempo necessário numa forma ondulante. A sua energia é como um rio lento e sinuoso, que demora o seu tempo durante o percurso, assegurando a chegada ao seu objectivo primordial. No entanto, quando o Kapha acumula, o seu movimento assemelha-se a água passando por zonas pantanosas, com resistência e levando à estagnação. A sua energia interna e pensamentos têm os mesmos movimentos aquosos e possível inércia.

Cada tipo dóshico tem a sua própria estrutura e energética de vida, que se extende à prática de asana. A prática de asana deve ter em conta o dosha do indivíduo, de modo a ser realmente eficiente.

A energia Vata é impulsiva e errática, como o vento que sopra forte mas que não dura muito tempo; no entanto, se oposta, irá fugir ou partir-se. O Vata deve ser restringido gentilmente, suportado e estabilizado. Deve ser harmonizado e dado continuidade de forma consistente e determinada.
A energia Pitta é focada e penetrante, e pode cortar e causar danos. Deve ser gentilmente relaxada e difundida. É como um foco de luz que magoa a vista e abrange um campo de iluminação pequeno mas, quando expandido, pode ser uma verdadeira força de iluminação.
A energia Kapha é resistente e complacente. Deve ser movida e estimulada aos poucos, como o gelo que deve ser derretido lentamente até poder fluir suavemente. Devemos energisar e estimular o tipo Kapha de forma consistente.

No entanto, o facto de um asana poder não ser bom para um tipo dóshico em particular não significa que ele nunca o deva realizar. Significa que ele deve praticar o asana numa maneira que proteja contra quaisquer potenciais faltas de balanço. Por exemplo, as inclinações para trás, se realizadas com a toda a extensão com força ou muito rapidamente, podem causar uma agravamento severo do Vata, com danos graves para o sistema nervosa possivelmente superiores aos de qualquer outro asana. No entanto, inclinações para trás parciais e suaves são óptimas para reduzir o Vata que se acumula na região superior das costas e ombros.

Cada grupo de asanas, tal como as posições em pé, inclinações para a frente ou posições invertidas, apresentam diversos benefícios para o corpo e o seu potencial movimento. Cada grupo de asanas exercita certos músculos e órgãos que, sendo parte da nossa estrutura corporal total, não devem ser neglicenciados. Para neutralizar algumas tendências para a falta de balanço, deve escolher posições dentro de cada grupo de asanas sejam melhores para o seu tipo corporal do que outras dentro do mesmo grupo. No geral, deve assegurar-se que todos os grupos musculares principais no corpo são representados na sua prática de asanas pelo menos vários dias por semana.

Do mesmo modo, o facto de um asana ser bom para um dosha em particular não significa que todas as pessoas desse tipo dóshico devam realizá-lo. Significa que esse asana pode ser bom para elas se for realizado de maneira correcta, e se elas forem fisicamente capazes de o realizar. Cada asana tem o seu grau de dificuldade, que pode requerer certas posições de aquecimento ou preparação para que possa ser realizado com segurança. Por exemplo, a preparação correcta para fazer o pino cria a musculatura nos braços e ombros necessária para suster um balanço bom e seguro. O facto de fazer o pino poder ser bom para o seu tipo dóshico não significa que deva simplesmente realizar logo essa posição ou realizá-la sem possíveis efeitos secundários.

Os efeitos de asanas diferentes variam consoante a sequência em que são realizados. Isto significa que a prática de asana deve sempre ser vista como um todo – não apenas como os diferentes asanas individuais que a compoem, mas também em termos do fluxo e relação entre todos os asanas realizados. A prática de asana – significando a sequência e a maneira de realização dos asanas, tal como os asanas específicos – deve ser concebida de forma a manter os doshas balançados relativamente à constituição e condição do indivíduo.

É útil pensar numa sequência de asana como sendo uma fórmula herbal. Uma fórmula ayurvédica herbal contém uma variedade de ervas utilizadas para diversos fins, que contribuem para o efeito geral da fórmula, cumprindo certos papéis específicos. O efeito dóshico geral da fórmula é determinado pela fórmula como um todo, e não por cada erva que contém vista de forma isolada. Combinando estas considerações ayurvédicas com os factores gerais listados acima, de modo a poderem recomendar asanas de forma eficiente, os professores de asanas devem aprender a:

Analizar o tipo ayurvédico e faltas de balance do indivíduo;
Analizar a condição estrutural do indivíduo, incluindo a sua postura, idade e condição física;
Analizar a sua condição prânica, o seu control da respiração e sentidos, e a sua vitalidade e entusiasmo;
Analizar o estado de espirítod da pessoa, a sua atenção, vontade e motivação, tal como a sua condição emocional.

O mesmo asana deve ser realizado de forma diferente consoante o indivíduo seja Vata, Pitta ou Kapha. O mesmo asana deve ser realizado de forma diferente dependendo da idade, sexo e condição física do indivíduo. Deve variar dependendo se o indivíduo possui muita ou pouca vitalidade. Outras variações adicionais irão ocorrer se a pessoa se encontrar zangada, stressada ou deprimida. Isto reflecte os quatro objectivos principais para a prática de asanas ayurvédica.

1. Balançar os doshas.

2. Melhorar a condição estrutural do corpo.

3. Facilitar o movimento e desenvolvimento do Prana.

4. Acalmar e energizar a mente.

TIPOS AYURVÉDICOS CORPORAIS E A PRÁTICA DE ASANA

Para compreender o potencial dos asanas em diferentes indivíduos, é importante olhar para eles de acordo com o seu tipo corporal dóshico.

Tipo Corporal Vata

Os indivíduos Vata possuem ossos longos e finos que são frequentemente fracos ou quebradiços. Possuem um baixo peso corporal e fraco desenvolvimento muscular, mas são bastante velozes e flexíveis. A sua estrutura óssea torna-os bons na realização de inclinações e alongamentos, especialmente de braços e pernas, quando são jovens. No entanto, à medida que envelhecem, a qualidade seca do Vata aumenta e leva-os a perder mobilidade se não se exercitarem regularmente.

Um asana lento e suave, realizado de forma uniforme e balançada em ambos os lados do corpo, é o exercício ideal para os indivíduos Vata. Os Vatas necessitam de praticar asanas porque estes aliviam o Vata que facilmente se acumula nas costas e ossos. As doenças Vata começam por uma acumulação de ar com sentido descendente (Apana Vayu) no cólon, que é transferido para os ossos, onde causa problemas ósseos e articulares. O Vata beneficia da acção de massagem dos asanas nos músculos e articulações, onde liberta a tensão nervosa e balança o sistema.

– Potencial Negativo do Vata

Os indivíduos Vata sofrem comumente de rigidez devido à secura e deficiência dos seus tecidos. A sua falta de peso corportal não proporciona uma protecção adequada das articulações e nervos, ou a hidratação necessária aos tecidos. São mais susceptíveis a lesões porque gostam de realizar movimentos rápidos e abruptos, e chegar aos extremos na sua prática de asana.

– Potencial Positivo do Vata

Os indivíduos Vata gostam de movimento e exercício. Preferem ser activos e expressivos, tanto física como mentalmente, e gostam de fazer coisas novas. O asana é algo que apreendem facilmente e ao qual se acostumam como parte da sua natureza activa. É uma forma calmante de se exercitarem.

Vata Bloqueado e Deficiente

Existem duas condições básicas do Vata, chamadas Vata bloqueado ou Vata deficiente. O Vata bloqueado exibe uma energia presa algures no corpo, juntamente com dor ou desconforto, mas com peso corporal normal. O Vata deficiente exibe baixa energia, baixo peso corporal e hipersensibilidade, frequentemente sem dor aguda. O Vata bloqueado requer movimentos orientados ou asanas prânicos para a sua libertação. O Vata deficiente requer uma aproximação gentil e trabalhada, evitando cansaço forte. O Vata bloqueado é mais comum em indivíduos jovens com energia adequada mas bloqueada, enquando que o Vata deficiente é mais frequente nos idosos, cuja qualidade tecidular está em declínio.

Tipo Corporal Pitta

Os indivíduos Pitta possuem uma estrutura corporal mediana, com bom desenvolvimento muscular e laxidez articular, o que lhes confere uma quantidade razoável de flexibilidade. São bons na prática de asana, mas são incapazes de realizar algumas das posições mais exóticas que os Vata conseguem realizar, pois possuem ossos mais curtos. Os Pittas beneficiam da prática de asana para acalmar a cabeça, o sangue e o coração, e libertar a tensão. Por exemplo, os Pittas tendem a sofrer de hipertensão devido ao seu temperamento fogoso que os leva a quererem sempre ser bem-sucedidos ou vencer.

– Potencial Negativo do Pitta:

Os indivíduos do tipo Pitta tendem a ser irascíveis e irritáveis devido a calor interno excessivo. Podem ter falta de paciência para iniciar ou manter a prática de asana ao longo do tempo. Por outro lado, uma vez envolvidos, podem sobrerealizar posições e ser agressivos e militantes na sua prática. Um Pitta que foi longe demais na sua prática irá sentir-se mais irritável, ou até zangado, depois de ter terminado. Os Pittas também tendem a limitar-se às posições que conseguem realizar bem, e ignorar as que podem ajudá-los a mais desenvolvimento.

– Potencial Positivo do Pitta

Os Pittas possuem a melhor capacidade de foco e determinação de todos os tipos dóshicos. Conseguem assumir disciplina e prática consistente e determinada, uma vez iniciada e orientada de forma correcta. São o tipo mais ordenado e consistente dos tipos dóshicos, apenas necessitam de descobrir o caminho correcto para orientar as suas energias.

Tipo Corporal Kapha

Os Kaphas são frequentemente baixos e bem constituídos, ganhando peso com facilidade. Com os seus ossos curtos e largos, têm falta de flexibilidade e não conseguem realizar posições que a requiram, tal como a posição de lótus. No entanto, são fortes e possuem a maior capacidade de resistência dentro dos diferentes tipos. Os Kaphas necessitam de movimento e estimulação para combater a sua tendência para a complacência e inércia. São bons a continuar uma prática por longos períodos de tempo, uma vez que a tenham iniciado.

– Potencial Negativo do Kapha

Os Kaphas tendem a ter excess de peso, o que limita os seus movimentos e torna-os sedentários. Sofrem frequentemente de congestão pulmonar, o que lhes dificulta a respiração profunda. Apresentam pouca capacidade de esforço positovo, e têm dificuldade em mudar se não forem estimulados externamente. Necessitam de estimulação constante para fazer mais, ou desistirão rapidamente dos seus esforços.

– Potencial Positivo do Kapha

Os Kaphas são constantes e consistentes no que fazem. Uma vez que comecem a fazer algo, conseguem fazê-lo fielmente ao longo do tempo. Permanecem calmos emocionalmente e durante a sua prática, independentemente dos resultados. Vêm a vida com amor, e trabalham como um serviço.

A Maneira Ayurvédica de Realizar Asanas

A Ayurveda não olha para os asanas como formas fixas que por si só ou aumentam ou reduzir os doshas. Olha para elas como veículos para a energia que pode ser utilizada para ajudar a balançar os doshas, se for utilizada de forma correcta. Este princípio é semelhante para a visão ayurvédica dos alimentos. Enquanto que alimentos específicos individuais têm os seus efeitos específicos para aumentar ou reduzir os doshas, a maneira como os alimentos são confeccionados, a maneira como as especiarias são adicionadas, como são combinados, ou como são cozinhados para misturar as qualidades dos alimentos num todo harmonioso, é tão significativa como os próprios alimentos individuais.

Enquando que a Ayurveda diz que os alimentos de certos sabores têm maior capacidade de aumentar ou reduzir doshas específicos, diz também que necessitamos de algum grau de todos os sabores. Do mesmo modo, também necessitamentos de todos os tipos principais de asanas a algum nível. São o grau e extensão que variam consoante o tipo dóshico. Cada indivíduo requer uma gama completa de exercícios que lidem com a gama de movimentos do seu corpo.

A sua prática geral de asana deve ser como uma refeição. Cada refeição deve conter algum grau de todos os seis sabores (doce, ácido, salgado, picante, amargo e adstringente) e alguma quantidade de todos os tipos de nutriente necessários ao organismo (amidos, açúcares, proteínas, lípidos, vitaminas e minerais), mas de forma ajustada às necessidades da constituição de cada indivíduo. Do mesmo modo, também a prática de asanas deve conter todos os tipos de asana necessários ao exercício e relaxamento do corpo inteiro, ajustado aos factores constitucionais individuais. Deve incluir posições sentadas, inclinadas e em pé, e movimentos expansivos, contractivos, ascendentes e descendentes, mas numa maneira e sequência que nos mantenha balançados e tenha em conta a nossa condição individual estrutural, energética e mental.

Pontos-Chave para Praticar Asana para o seu Tipo:

Tipo Vata

Geral – Mantenha a sua energia firme, nivelada e consistente; modere e contenha o seu entusiasmo.

Corpo – Mantenha o corpo calmo, centrado e relaxado; realize o asana lentamente, gentilmente e sem uso abrupto ou desnecessário de força, evitando movimentos abruptos.

Prana – Mantenha a respiração profunda, calma e forte, com ênfase na inalação.

Mente – Mantenha a mente calma e concentrada, fixa no presente momento.

Tipo Pitta

Geral – Mantenha a sua energia refrescada, aberta e receptiva, como uma lua em quarto Crescente.

Corpo – Mantenha o seu corpo refrescado e relaxado; realize os asanas de modo aberto, para remover o calor e a tensão.

Prana – Mantenha a respiração refrescada, relaxada e difundida; expirar através da boca para reduzir o calor conforme necessário.

Mente – Mantenha a mente receptiva, isolada e consciente, mas não de forma cortante ou crítica.

Tipo Kapha

Geral – Certifique-se que fez o aquecimento necessário, e depois realize o asana com força, velocidade e determinação

Corpo – Mantenha o corpo leve e em movimento, morno e seco.

Prana – Mantenha o Prana em movimentos ascendentes e circulantes; respire de forma profunda e rápida para manter a energia se necessário.

Mente – Mantenha a mente entusiasmada, acordada e focada, como uma chama.

Do livro Yoga for Your Type, de David Frawley e Sandra Kozak (Lotus Press)
Tradução de R. A.
http://dharmacaminhoparaaverdadesuperior.blogspot.com/

Era de Kali Yuga

KALI-YUGA

por Marcio Isael(ZAYASH)

A Kali Yuga é a quarta e mais densa das grandes quatro Yugas(eras)do calendário Hindu, correspondendo, por analogia, à idade de ferro dos Gregos, período no qual os valores morais declinam e a materialidade sobrepuja a espiritualidade. O termo KÂLI (negra) é referente a Deusa Parvarti, consorte/atributo de SHIVA, responsável pela morte de tudo que é vil, grosseiro e decrépito.

Fazendo um paralelo com as quatro estações, a idade de Kali corresponde ao inverno, estação onde a escassez exterior e a hostilidade ambiental conspiram para que busquemos as reservas interiores e o aconchego do fogo(agni)em nossa morada espiritual (ashran). A decepção com o mundano, os excessos esgotados e as inversões de valores congelam o amor e a sabedoria. Todavia, tão logo o Sol da Satya Yuga (IDADE DA VERDADE) avança e a precessão dos equinócios confirma a Lei de ciclos, o degelo ocorre e a vida volta para o exterior.

Que possamos, nesse entretempo de crepúsculo e alvorada, buscar o calor terno dos planos interiores e evocar a Hierarquia Espiritual Planetária, pois só assim, poderemos transpor a turbulência típica de uma grande transição de “águas”(de peixes – a água horizontal, para aquário – a água dispensada do alto, vertical).

As Yugas e suas durações são:

-Satya Yuga (Idade de ouro,ou da verdade) – 1.728.000 anos
-Tretâ Yuga (Idade de prata) – 1.296.000 anos
-Dwapara Yuga (Idade de bronze) – 864.000 anos
-Kali Yuga – 432.000 anos
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Total 4.320.000 anos

O texto abaixo foi extraído do segundo volume da obra “A Doutrina secreta” de H. P. Blavatsky, mas o texto original em sânscrito, pertence ao Purana (livro antigo) de Vishnu(A Segunda Pessoa da Trimurti Hindu), escrito há 5.000 anos.

“Haverá monarcas contemporâneos reinando sobre a Terra, reis de espírito mau e caráter violento, voltados à mentira e à perversidade. Farão matar mulheres, crianças e vacas; cobiçarão as mulheres dos outros; terão poder limitado, suas vidas serão curtas, seus desejos insaciáveis; gentes de vários países, unindo-se a eles seguirão seus exemplos; e, sendo poderosos os bárbaros, sob a proteção dos príncipes, e afastadas as tribos puras, perecerá o povo. A riqueza e a piedade diminuirão dia a dia, até que o mundo se depravará por completo; a classe será conferida unicamente pelos haveres; a riqueza será a única fonte de devoção; a paixão o único laço de união entre os sexos; a falsidade o único fator de êxito nos litígios; as mulheres serão usadas como objeto de satisfação puramente sexual; a aparência externa será o único distintivo das diversas ordens de vida; a falta de honestidade, o meio universal de subsistência; a fraqueza a causa da dependência; a liberdade valerá como devoção; o homem que for rico será reputado puro; o consentimento mútuo substituirá o casamento; os ricos trajes constituirão a divindade; reinará o que for mais forte; o povo não podendo suportar os pesados ônus (o peso dos impostos) buscará refúgio nos vales. Assim, na idade de Kali (ferro) a decadência prosseguirá sem detença, até que a raça humana se aproxime do seu aniquilamento (Pralaia). Quando o fim da idade de Kali estiver perto, descerá sobre a Terra uma parte daquele Ser Divino que existe por sua própria natureza espiritual (Kalki Avatar); Ele restabelecerá a justiça sobre a Terra e as mentes que viverem até o fim da Kali Yuga serão despertadas e serão tão diáfanas como o cristal. Os homens assim transformados serão como sementes do verdadeiro homem (Eu Superior).”

A idade de Kali começou quando o Avatara Krishna abandonou o seu corpo físico, há exatamente 5.000 anos. A Kali Yuga dura, em seu ciclo maior, 432 mil anos, sendo a 4a. e a mais densa das 4 Yugas. Nestes 5.000 anos tudo o que foi previsto para ocorrer ao longo do seu tempo, já está acontecendo de forma condensada.

Mas vale ressaltar que cada Yuga contém as outras em si. Portanto, se a Kali Yuga começou pelo seu próprio sub-ciclo(kali-Kali),logo teremos a Satya Yuga dentro da Kali (Kali-Satya), fato há muito anunciado por diversas tradições, inclusive a do Povo MAIA, que compartilha muitos números e datas com as tradições Védicas e Egípcias

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